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sexta-feira, junho 16, 2006

Breathe


E pensar que cheguei poder morrer nos teus braços.
Vivo em sobresalto nos últimos dias em que tudo o que preciso é de concentração e tempo.
Em que a minha vida fecha um círculo do qual preciso sair em grande… não é justo.
Se justiça fosse feita tu serias uma criatura justa, primeiramente contigo para que ela chegasse até mim e agarravas-te à vida com a força de mil homens. Agarravas-te porque te curvavas à verdade de ti mesmo e não a esse masoquistmo em que vives.

És tão especial que serias helfo por direito numa matéria virgem e inocente desta roda gigante que é a vida. Desde conto ou fábula que vives por todos cuja a consciência já corrumpeu há muito.

Não percebo o que ainda te sufoca senão a tua forma de te ver.
Tento perceber, tento saber…mas a nada chego por falta de espaço em ti.
Nunca me deixaste respirar no mesmo compasso… nunca me deixaste estar aí, do teu lado, mesmo que em silêncio porque, por alguma razão que não atinjo, algo explusas em mim.
Só te quero bem… só te quero com vida e consciente da enormidade do que és.
Por favor, mais do que por mim, por ti… respira e não deixes de viver.
Por favor… respira.

segunda-feira, junho 12, 2006

Atende.


Não sei onde me encontro mas esta noite não vou sair.
O cansaço deste corpo, no abalo desta vida, ferve em mim como se de uma bomba relógio se tratasse.
Tem graça… decidi férias em mim nestes dias. E soube-me tão bem.
Amanhã tudo faço, tudo compro, tudo organizo, tudo digo…mas hoje não. Hoje ainda estou de férias e o vegetal em mim ainda não adormeceu de vez.

Existem coisas bizarras nestas paredes…
Não consigo estabelecer ligação com o teu telefone nem saber nada de ti.
Vivo, nos escassos segundos de “regresso”, na aflição e asfixia de ser responsável pela tua morte…
Atende.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Peito a nu.


Há coisas que me sugam o sangue…mas que me enchem o espírito.

Ontém vive um momento que sinto maior.
A minha pele ainda está a acertar o passo, o meu corpo a recuperar a forma, os meus olhos a repôr o brilho, os meus ossos a retomar os seus lugares…e eu a voltar a mim.
É, de facto, fascinante esta coisa de “viver”.

Sabem o que é olhar para trás e pensar “Tudo isto dava um filme.”?Não pela prepotência de sermos tão importantes ou levar uma vida tão vibrante que alguém deveria fazer um filme para assim o mundo ter o prazer de assitir. Não. Mas sim pelo cinematográfico real da acção. Pelo momento que, rodeado de perfeição, poderia ser parte de um bom filme.
Desde o tempo, às palavras, às cores e até a “banda sonora”… tudo me parece hoje perfeito no abraçar dos sentimentos que foram vividos.
As personagens…ao grande público não interessam, até porque viverão pouco tempo no seu imaginário. Quanto muito poderão, com sorte, vir a ser recordadas numa conversa qualquer.
Mas ali tudo era real. As personagens eram pessoas de carne e osso,e, sobretudo, muito sangue.
Talvez tenha sido o “descurso do adeus” que a tantos fascina, talvez. Mas hoje olho para tudo o que se passou e sei que foi muito mais. Mais do que a despedida emotiva e bastante sofrida de dois sangues, foi o cravar nas nossas vidas de nós mesmos, um no outro, os dois na história.
“Se o tempo pára e nada à volta tem importância quando te beijo… é porque vale a pena.”
Sinto-me inutil ao tentar transmitir a grandeza do que aconteceu… jamais conseguirei, por palavras, fazer sentir o que senti, o que sentiste.
Foi grande…foi maior. Talvez até grande demais para as nossas, tão tenras carnes.
Como a dor pode ser marcante…como as marcas podem doer.
Como nos tornamos sós.
A vida por vezes conduz-nos por caminhos bizarros. E nós, lá vamos, munindo-nos de defesas e escudos para que nada nos doa a valer. Podemos fazer milhas assim, sempre a acrescentar mais uma defesa, mais uma camada. E nesse percurso chegamos até a adormecer…porque, com os nossos corpos, a anestesia cerebral poupanos ao pensamento e à senbilidade do peso.
Mas doi.
Doi quando, sem querer, encontramos alguém que já caminhou como nós, já agarrou nas mesmas coisas e já se vestiu da mesma forma. Doi reflectirmo-nos nela e com isso perder o controlo de nós mesmos.

Estive lá, tal como tu… perdi muita coisa, tal como tu. Por cada camada nova com que me cobri perdi algo ou alguém para suportar a caminhada. Mas foi por isso que não fui feliz, e foi por isso que, hoje, já sei assumir que também vivo medos.
Despi-me…e agora estou nu. Mas que alívio este descortinar de mim mesmo que tem sido um exercício penoso. Foram anos a mais a construir muros. Foram anos a mais a envenenar-me de mim mesmo.
Grita, cospe, chora, fala… mas não semi-serres os olhos outra vez. Perde o controlo que lá fora o mundo também não precisa assim de tantas linhas rectas. Não sobrivias a ti mesmo todos os dias… vive por ti mesmo o resto da tua vida.
Despe-te e sorri. Transpira essa beleza, torna-te real e liberta-te dessa pele que não deixa o teu sangue fluir. Não deixes que esses ossos congelem com a força dos ventos que aí dentro escondes. Grita, liberta-te.
Sê feliz…vive.

Hoje sinto-me honrado. Pelo que já vivi, pelo que vi e no que, pouco a pouco, tenho a coragem de me tornar.
Hoje sinto-me brindado porque te conheci…e de ti provei o meu próprio veneno da forma mais trágica mas doce que alguma vez quis.

Estarei sempre aqui para te ver respirar…para te ver crescer. Mas por mim, por ti, não sufoques mais tempo que ninguém tem real necessidade de brincar com o ar.

Viverei e espero um dia encontrar-te outra vez.
Desejo-te uma caminhada leve… desejo-te o que à maior raridade se poderia desejar.
Tem uma boa vida, e vive-a de uma forma saboreada.

Sê feliz e nunca te esqueças que a quantidade de ar que se precisa para viver é maior do que aquela em que vives e não tens o direito de forçar, por muitas razões que encontres, esses pulmões já tão cansados.

Inspira e expira… mas sempre com o peito a nu.

Até sempre… até amanhã, até um dia em que voltemos a oxigenar o mesmo sangue.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Chocolate IV


Voltei.
E no meu regresso encontro algo que me surpreende.
A loja mantém-se a mesma, a disposição das tentações também. O lojista não deu conta da minha ausência e muito menos se colocou em bicos dos pés quando me aproximei.
O que se terá passado na minha ausência? Nada…pura e simplesmente nada.
Entrei pela loja a dentro com a força de mil homens. Estava preparado para a grande viragem neste filme. Estava preparado para uma overdose de chocolate que iria desenhar um fim a este jogo… uma overdose de adrenalina.
Como podemos ser ingénuos no preparar das nossas armas.
Entrei… aproximei-me e nada.
Cansado da não reacção fiz o que caracteriza o meu corpo… provoquei reacção e caí. Caí de uma altura izurbitantemente alta. Mas a queda começa a saber bem.
Secretamente lancei a última cartada para procurar significantes e nem quis acreditar. O filme tinha-me sido roubado e eu nem dei conta. Esta já não era a minha história e o meu papel já não era o que deixei.
Foi-me explicado o meu significado mas assim descobri que o meu significante estava a milhas de distância do que sonhei ser neste enredo.
Fui, sou e, sob a proposta de continuar a ser, alguém que cumpre uma missão nesta loja. Era-me suposto amparar, acarinhar e proteger o chocolate feroz que me alimentava. Concretizei-o sem o saber e até recebi uma menção honrosa de “esforço e dedicação”. Irónico no mínimo…quem me diria a mim que estes ossos mundanos e este sangue envenenado ainda prestava, mesmo que silenciosamente, serviço social.

A verdade é muito simples.
Vivi sob o efeito de uma droga que algures me deixou despido. Essa droga, envolta num aspecto angélico e numa quantidade exagerada de corante, conservou-me os ossos em ferro e o sangue em vinho. Nunca, em momento nenhum, por mim…sempre em nome do tão aclamado chocolate.
Pois que sinto chegada a hora de partir.
Há muitos segundos atrás, algures no passado deste corpo, aprendi uma coisa que sempre estará presente. Nunca deixes que o teu público se esgote. Nunca esperes por um lugar vazio na plateia. Sai… abandona o espectáculo quando tu ainda fazes vibrar alguém e ainda quando as pessoas que te assistem te desejam. Foge em silêncio para que sintam a tua falta e nunca, mas nunca, sejas indesejado.

Hoje é um dia especial. É um dia em que abandono esta história. Sinto a angústia da confusão até porque saio sem perceber bem o que fui, o que sou e o que poderei ser para esse tão misterioso chocolate. Saio com a mesma água na boca com que entrei na loja até porque de alguma forma esta história não teve um fim. Eu é que acabei, eu é q cheguei ao fim como uma personagem que é subitamente assassinada a meio da história porque, por alguma razão, o seu dono já não precisa mais da sua presença.
Saio triste, melancólico, mas certamente feliz. Feliz porque a vida mais uma vez fez o favor de me surpreender e viver qualquer coisa que nunca tinha vivido antes. Feliz porque nos meses frios que se aproximam irei aprender muito com tudo isto e assim aquecer estes ossos que outrora cobriram o gelo.

Ao senhor da loja desejo uma boa história, à loja um cenário faustoso, e ao chocolate… bem ao chocolate resta-me dizer “Até um dia que o autor se lembre de nos fazer contracenar de novo fazendo de mim o protagonista que afinal nunca fui!”

A todos um grande bem haja
Saí de cena que este palco já não me pertence e este público já esteve mais longe de não me desejar.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Chocolate III


...3 taças de mousse de seguida. Enjoado?Talvez... mas nada, nenhum doce chega para superar a acidez desse chocolate.
É ácido, eu sei, já o conheço...mas agora parei. Parei de me deixar à deriva nesta história. Essa loja não sentirá a minha presença até à viragem do ano... nesse tempo limpem tudo, renovem a montra, preparem as armas de sedução. Reparem os ingrenientes e organizem uma grande recepção. Eu não mereço menos.
Quanto vale a saliva que já gastei para te digerir?Quanto vale a saliva que gasto a desejar esse chocolate?
Muito mais do que se possa imaginar. E porquê? Porque eu quero e porque já não me satisfaz ser levado.
O jogo mudou, mas como bom portagonista, deixo que limpem o tabuleiro para não vos deixar já com um final sem água na boca.
Os ossos estalam, os dedos prelongam-se... mete-te em bicos dos pés vendedor, agora sou eu quem escolhe os sabores que irei dissolver.
Preparem os vidros para uma grande mudança que o meu sangue está parado.
Parei, olhei à volta, é tudo azul... mas quem disse que eu gosto deste azul?Pois que se mudem os cenários, pois que se mudem os figurinos, pois que se mudem os guiões... Apenas se mantenham as personagens porque é nelas que irem realmente mexer quando regressar!
... inspira e expira... nunca te esqueças. E sobretudo aprende uma coisa fudamental nestes jogos "Pensa no que dizes mas nem sempre digas o que pensas."

Até à volta.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Chocolate II


Mas que dor de barriga… mas que sede e incensatez.
Porque raio ninguém me acorda deste delírio tão irracional?
Dou comigo numa luta exausta entre mim e mim mesmo. Entre a loucura e o impropério.
Mas como me doi a barriga…e hoje não sinto prazer.
Hoje sinto vazio, sinto silêncio…sinto que posso ter perdido o norte. Posso ter sido banido da eleição sem me dar conta mas consciente do porquê. Posso querer pedir desculpa mas nem sei se tamanha essência possui ouvidos. Posso ser tudo mas agora também posso ser um nada.
Um dia alguém me disse… “Se a vida tivesse uma linha amarela que delineasse os limites dela mesma, tu viverias sempre em bicos dos pés sobre ela. Isso um dia ainda te mata.”…esse alguém conhecia-me…e hoje lembro-me da sensatez destas palavras. Porquê?É a única coisa que me surge enquanto deixo que os dedos descansem e permitos aos calcanhares deixarem o ar.
Ja tentei reflectir na montra novamente… mas até agora o silêncio. A ausência de luz que me rouba a cor de que componho os meus reflexos. Porquê?…
Será que errei assim tão ferozmente?…nunca pensei que para subreviver à racionalidade deste meu corpo teria ainda assim de me manter racional a todo o instante. Será que só existiu na minha cabeça esta partilha de provocações?Onde fica o meu corpo sem esse chocolate?…
Mas que presistente esta dor de barriga… mas que ausente a imagem do que a provoca.
Se em momentos todo o mundo de humanizações, mesmo até as mais florescentes, viveram sobre o amparo do meu céu-da-boca, hoje sinto frio. Congelam-me os ossos estas coisas todas tão pouco tropicais. Sinto o corte do cinema, sinto o bater das tábuas no silêncio dos corpos racionais.
Sinto a dor vazia dentro da minha barriga que já se imaginava habitada pela dor do prazer.
Oh chocolate feroz…mas de que és feito tu que não há meio de saber?… reage…age. Mas não cultives esta temperatura tão cutilante.

terça-feira, novembro 29, 2005

"Chocolate"


Estava eu tranquilamente a vaguear por uma tarde húmida de Inverno quando me deparo a olhar para a tão falada montra.
Recheada de pecados lá estava ela como tantos já me a tinham descrito.
Olhei, e, sem grandes medos, avancei. Tomei coragem e pensei que só olhar não me faria mal nenhum. Afinal, não sou dependente de chocolate (ao contrário do que muitos pensam) mas sim apenas uma pessoa sensata. Reconheço o seu valor e ponto.
Oh chocolate feroz…
Quando me acalmei e voltei à terra já era tarde demais. Tinha-me envolvido. Tinha sido surpreendido por uma relíquia que sempre subestimei existir.
Sempre me mantive atento para que o corpo nunca me atraiçoasse e com isso sempre julguei não existir nada semelhante. Erro humano, talvez. Mas tamanho erro nunca sequer foi possível conceber por este corpo. Surpresa, ansiedade…pânico.
Ai, mas quem me deixou adormecer?
Quem me deixou olhar, entrar e ser devorado pelo prazer daquele chocolate?
Sinto H2O a mais na boca. Sinto agitações a mais no sangue. Sinto correntes de ar a mais no peito. Sinto músicas a mais no cérebro. Sinto que não tenho a certeza de não ter corrido demasiados riscos naquele estado de inconsciência.
Se me dói a barriga? Sim, e não foi por ter comido demais. Foi por ter comido depressa e de forma tão insensata.
Se volto à loja?…não sei. Tenho medo.
Tenho medo de expor a minha vulnerabilidade assim num vazio tão vasto como este. Tenho medo de me cruzar comigo mesmo no reflexo da montra e perceber que me deixei envenenar e que, tal como todos aqueles que nunca tentei compreender muito bem, fui atingido. Tenho medo de não reflectir nada na montra e de perceber que tudo isto não passou de uma ilusão porque afinal, os chocolates nem sempre envenenam quem querem. Afinal posso não ser uma vítima especial.