E não há nada como um boa carga de água em pleno simulacro de Verão. Sim, aquela molha e o cheiro a terra húmida quando já estás todo vestidinho à “chegou o Verão”! Essa mesma. Porque o que é que acontece a seguir? Desces a avenida cheio de frio cruzas os olhares de surpresa com todas as pessoas que também não contavam com aquilo, e não tens como te proteger. O caminho é longo e sabes que será inevitável o desvio. Não. Segues pela avenida abaixo e paras quando percebes que já não há nada a fazer. Olhas para cima e deixas que a água que se esgueira por entre as copas das árvores te invada a cara. Fechas os olhos e só existes tu e aquela musiquinha super hipster que trazes aos ouvidos. Sorris e não é por simpatia. É por prazer.
És assaltado por toda a merda que acontece discretamente na tua vida nos primeiros dias de Verão e de repente percebes que, para ser absolutamente perfeito, só faltava mesmo que estivesses na praia e dentro do mar quando aquilo está a acontecer. E não estás. Abres os olhos e segues o teu caminho encharcado e não evitas uma única gota.
De repente o Inverno veio só assim de fininho para te lembrar onde ías mesmo, e cais em ti.
Chegas a casa e ainda te consegues rir de ti mesmo, enquanto tomas aquele banho bem quente e pensas no que vais fazer para jantar. Foste tu e mais ninguém. Foste tu que optaste pela inundação em ti, e foi tão bom.
Anoiteceu, jantaste e a campainha toca. No intercomunicador ouves:
- Olá... É o carteiro da noite. Lembras-te?
- Estás a gozar...
- Não. Aterrei agora mesmo em Lisboa, estou com as malas na mão e vai começar a chover. Aceitas a encomenda? ... apesar de vir com 4 anos de atraso, eu sei.
- Tens noção do que estás a fazer?
- Sim... e só espero que me deixes entrar.
Abres a porta da tua casa e afastas-te pelo corredor. Ouves nas tuas costas os passos de um corpo a medo que pousa as malas no chão. Viras-te e assistes aquele momento em que a visita respira fundo, se enche de coragem, e diz: Tiago voltei.
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quinta-feira, maio 22, 2014
domingo, maio 05, 2013
Líbido
O bailado tinha terminado. Cá fora, entre um
cigarro e outro, esperavam-se as estrelas da companhia enquanto as mesmas caras
de sempre se serviam das bandejas igualmente coreografadas.
Cá fora, no jardim, enquanto apreciava o compasso
de espera com o seu cigarro, sente a presença de alguém que se aproximava pelas
suas costas. Aquele perfume era-lhe tão familiar que nem se deu ao trabalho de
contornar o próprio corpo e surpreender aquele que decide dizer:
- Depois não queres que te chame nomes!
- Desculpe? Não percebi.
- Sempre elegante. E eu sabia que te ía encontrar
aqui.
- Curioso, logo eu que não confirmei a minha presença.
Mas calculo que tenha os seus métodos.
- Aprendi com os melhores.
- Obrigado. Fico contente por saber que contribuí
com alguma coisa então.
- Estás lindo.
- Obrigado. Os ares da cidade também me parecem
que lhe estão a fazer igualmente bem.
- Cabrão! Estou a ficar sem espaço nas cuecas!
- É sinal que terá um órgão grande demais...
- E ele insiste!! O dono do massive penis aqui és tu! E sabes bem que sim e isso é super sexy!
- Sexy? Começo a notar alguma saliva na sua
boca...
- Porque te vens para caralho também! És o The
whole package!!
- E isso excita-o, presumo.
- Agrada-me muito, sim.
- Para a próxima espero por encontra-lo então.
- Porquê, masturbaste-te antes de eu chegar?
- Não. Estava só a ser provocador mas pelos vistos
não fez efeito...
- Quem disse?
- Eu. Pelo menos questiono-me... Olhando para
baixo não vejo nenhuma nódoa nas suas calças.
- É fácil me recordar do teu tamanho, da força e
do gemido seco que me provocavas, do preenchimento total no meu interior e da
dor altamente excitante que me davas.
- Devo sentir-me elogiado portanto...
- Estou de pau feito.
- Perdoai-me senhor porque pequei.
- Sabes bem que não sou do teu tamanho. Tu tens
uma pila para além de bonita, grande mas grande mesmo. Claramente que não sou o
único a dizer-te isto. E aliás, tu sabes.
- Ainda estou a recuperar o fôlego, peço desculpa.
Não contava com tamanha euforia na sua boca.
- Pois, aconteceu-me o mesmo, quando levei
contigo!
- Posto isso, "só se perderam as que caíram
no chão" parece-me.
Ainda se recorda do que disse naquela noite?
- "O que é que estás a fazer, cabrão?" E
sei que me respondeste "Estou-te a comer o cuzinho" Passei-me!!
- Portanto será mais apropriado afastar-se agora.
A menos que ainda me queira dizer mais alguma coisa antes.
- Que me comeste o cu muito bem e que adorei sentir
os teus colhões a baterem-me nas nádegas a cada investida dentro da minha carne
húmida.
- Tome cautela, seja discreto. Mesmo sem baixar o
olhar já percebi que se está a tocar com a imagem que verbalizou... Vou acender
outro cigarro, para lhe dar tempo de se recompor.
- No mesmo sítio onde te devias ter vindo?
- Nesse mesmo sítio onde me queria ter vindo na
altura. Quem sabe até para depois assistir ao excesso a cair lentamente numa
linha perfeita que lhe percorria as esferas. O que acha?
- Isso depois de te vires no meu cu e de o
enfiares outra vez e te sentires deslizar facilmente por estar cheio do teu
leite que depois de o tirares sim, escorreria para fora numa linha que
lentamente me molhava os colhões porque me estavas a comer numa canzanada
fodida e à bruta.
- Precisamente. E como você iria querer provar,
ainda o dirigia à sua boca um pouco. Para sentir o que tinha dentro de si e
pelo seu corpo todo… não era a sua fantasia?
- That's my boy! Os dados estão contigo agora.
- Parece-me que quer levar o jogo até ao limite
com esse tom desafiante.
- Estou com os colhões tão cheios que tem mesmo de
ser.
Dá um
travo longo no cigarro e da um passo lento sobre o outro corpo. Faz deslizar a
mão até ao seu próprio sexo. Aperta-o como se discretamente o ajeitasse no
interior das calças. Sorri com um ar malicioso e semi-serra os olhos revelando
o prazer ao tocar-se em frente a ele no meio daquela multidão de pessoas à
espera.
- Meu querido, a bola está agora do seu lado.
- Cabrão. Essa mão definida pelas veias, o sol que
corta o bronzeado das partes intimas … essas maravilhosamente fortes, másculas
e grandiosas mãos. Uma cabeça rosada e molhada que já me abriu caminho e me
ofereceu sensações de rasgo deliciosas… que caralhão, lindo.
Tu não prestas. És demoníaco. E sim, estás a
ganhar! Em vários sentidos!
- Posso-lhe perguntar o que é que faria com aquilo
que viu agora mesmo se pudesse?
- Preciso de libertar a tensão.
- Disse tensão?
- Disse. Mas queres saber o que faria? Eu digo-te:
Deixava-me estar vestido… chegava ao pé de ti enquanto tirava de dentro das
calças a minha tusa. Ficava frente a ti de pau feito e tu nu igualmente de pau
feito. Beijava-te violentamente enquanto te tocava e apertava a base dos
colhões. Trabalhava os teus mamilos enquanto a minha outra mão passava dos teus
colhões já cheios para a minha tusa. Batia claramente uma. Descia em ti até
sentir o cheiro das tuas virilhas invadir o meu palato e, a olhar para ti,
engolia-te o caralho enquanto pedia para não desviares o teu olhar da minha
boca húmida de tanto te querer dentro da garganta
De seguida mamava nesse pau enquanto me masturbava
tanto e com tanta vontade. Pedia que me forçasses a comer-te todo e queria
lacrimejar para comprovar o quão grande és. Fechava os olhos e sentia a tua
púbis no meu rosto e aí, deslizava a minha mão para o meu cu que já sentia
húmido.
Deslizavas num movimento para fora da minha boca e
um fio de intensa saliva unia o teu caralho à minha língua gulosa, e aí pedia
que me desses umas boas chapadas com a mão.
Pedia e tu davas. Sem medo. E eu, a sorrir para
ti, ajoelhado na tua frente. A adorar a perspectiva.
Agarrava nos teus colhões e apertava na minha mão
direita enquanto investia na minha boca e me engasgavas a cada vez que me
fodias
Puxava os teu colhões para baixo para criar tensão
no caralho que, com um deslizar se projectava contra o teu abdómen.
Batia agora uma em ti ao mesmo tempo que passava a
minha mão na minha boca cheia do teu sabor para depois a passar no cu e dizia:
"Agora vais-me comer o cu à bruta e vais-me rebentar todo."
- Pode parar. Acho que já fomos longe demais e já há
pessoas interessadas na nossa conversa.
- Não vás. Se me movo agora arranco-te o beijo
nesses lábios escarlates.
- Chega.
- Sempre um senhor. Sempre um cabrão. Preferes
anonimato, não é?
- Prefiro vir-me.
- Então vamos embora daqui. Vamos para longe destas
pessoas.
- Por
isso é que gosto de igrejas. Geralmente por lá as pessoas estão tão
concentradas nas suas orações que não reparam no que se possa passar à sua
volta.
-
Cabrão.
- Tenha uma boa noite. Vou andando para casa e, já
agora, dê os meus parabéns ao seu namorado. Foi brilhante como sempre e decerto
que será mais um sucesso de bilheteira.
segunda-feira, maio 28, 2012
Smoking Crash
Às vezes tinha a sensação que vivera toda a vida em aeroportos. Conhecia os recantos de tantos quanto os das casas onde fiz vidas cruzarem-se com a minha.
Não entendo a beleza como a entendi. A negação do âmago e da alegria num corpo só, é de uma monstruosidade estética que não consigo aceitar de que possa fazer parte algum dia.
Seria um aparente dia normal. Daqueles que por nos parecerem tão normais nos alertam para uma possível catástrofe. Daqueles cujo equilíbrio não tem qualquer melodia ou cheiro. Daqueles estranhamente vazios.
Mas não. Efetivamente não se veio a revelar um dia normal.
Estava parado no topo de uma das colinas da cidade quando o sol e o silêncio me rasgaram a mente e as vozes inconfundíveis de outrora se fizeram ecoar.
Virei-me e não vi ninguém. Estava ali a sós. Completamente a sós.
O silêncio e o calor na pele não me conseguiram agarrar à terra, e no piscar de olhos que evitei, dei um passo em direção ao vazio.
Poderia ter regressado à pintura. Poderia ter regressado à fotografia e ao desenho, onde o poder da cor transformou durante anos a minha realidade. Mas as mãos estavam imóveis e o olfato sem cor.
Desde aquela noite em que nos vestimos de preto, e usámos as melhores manobras para cumprir todas as expectativas de uma imagem, que não consigo entender o que aconteceu.
Lembro-me de entrar no carro negro e incorporar a personagem com sorrisos e galanteios. Lembro-me do perfume da vaidade que naquela noite não havia meio de me assentar sobre a pele, nem mesmo quando atravessei a passadeira vermelha.
Os flashes e aqueles projetores violaram-me a mente. A cada disparo, mesmo já não sendo para mim, sentia o reerguer da personagem em mim.
Recordo-me da arrogância de um agente que ferozmente garantia o tempo de antena a mais uma desgraçada que mal respirava no vestido que a obrigaram a vestir.
Tudo aquilo, naquela noite, já não era mais o meu mundo. Havia qualquer coisa ali de repetição e desespero que me elevavam a rejeição no estômago.
Entrei e pensei que não te tinha visto chegar. Quando me sentei avistei-te do meu lado esquerdo.
Olhei para o telefone e pensei no quão estranho estava a ser a demora de uma resposta à carta que tinha escrito a nu, àquele outro que cada vez mais parecia não ser quem eu esperava fosse.
Voltei a olhar para ti e elogiei a tua amiga. Estava elegantíssima.
Tu nem reparaste na minha presença nem por um segundo.
De repente viras-te para trás e eu consigo perceber a insólita roupagem que trazias. Não parecias tu. Parecias outro que outrora criticavas sobre a personagem em mim.
A princípio rejeitei a ideia. Não sei se por ciúme ou por pura precaução.
Os pensamentos começaram-me a assombrar de tal forma que ao primeiro intervalo abandonei a sala e vim para a rua.
Chamei o meu carro e sem hesitar afastei-me do daquela noite ali.
No caminho para casa toca o telefone e era o Louis.
- Acabo de chegar a Lisboa e, no aeroporto, cruzei-me com o Ulliel que estava embarcar para Miami.
- Desculpa?
- Sim, não sabia que ia voltar e ele estava estranho e mal me falou. Como se fugisse de alguém ou de alguma coisa.
Conheci-o há dois anos numa miragem do Quartier des Enfants Rouges. Mais propriamente numa festa em casa de um desses novos cineastas com a mania que era alternativo mas que na verdade não passava de mais um menino do papá.
Era uma casa fabulosa no 3e arrondissement, que parecia tirada de uma imagem do final do século das lutas pela liberdade entre burgueses abastados mas negligentes pelo apelo a uma cultura maior. Os pais tinham viajado para Lisboa e ele achou que a casa precisava de uma vida lasciva qualquer.
Lembro-me dele a um canto na sala mas perfeitamente intrujado. Não me parecia acompanhado e tive a certeza quando me fitou o olhar.
Naquela noite falámos até amanhecer e eu, como tinha acabado de regressar de Biarritz e decidido mudar de bairro durante as ferias, achei que aquele seria o bairro perfeito. Ele, por sua vez, estava igualmente a viver um divórcio complicado e tinha acabo de chegar a Paris onde procurava um refúgio naquela cidade por tempo indefinido. Levou-me a ver um espetáculo do Alain Platel onde o mundo fazia o mesmo sentido para ambos.
Vivi com ele 7 meses naquele bairro até que um dia, ao regressar de Nova Iorque, cheguei a casa e ele tinha apenas deixado um bilhete.
Um ano depois encontrei-o em Lisboa, no Lux, e ao fugir por entre a multidão mandou-me uma mensagem que só dizia: Desculpa.
Soube por entre amigos que tinha tido uma recaída e que tinha viajado para fugir a um amor pérfido ao qual sucumbia como a morte. Mas até hoje não consegui entender ao certo o que aconteceu.
- Eu também não sabia. Aliás, o estranho é que ainda ontem falei com ele ao telefone e tínhamos combinado jantar amanhã. Não percebo.
- Pois, que estranho… Mas olha, vou deixar as coisas a casa da Isabelle e posso ir ter contigo se quiseres.
- Claro, eu estou a caminho de casa também. Dá-me uns 20 minutos e encontramo-nos lá.
No caminho a imagem que tinha de ti ia ficando mais confusa. Que sentido fazia tudo aquilo afinal?
Se por um lado rejeitava aprofundar por receio de dramatizar, por outro trazia um estranho amargo de boca que não me permitia abandonar as conclusões.
Recebo uma mensagem no telefone.
“Onde estás? Perdi-te de vista e já não me consegui sentar ao teu lado. Temos que falar porque preciso de te contar o que ouvi.”
O meu estômago deu a volta e pressenti que era sobre ti. Respondi que me tinha sentido indisposto e estava de regresso a casa, desfazendo-me em desculpas e evitando a pergunta.
“Que grande merda! Mas estás bem? Falamos amanhã então.”
Estava já a chegar à Avenida da Liberdade quando liguei à Mrs. Dalloway a contar-lhe o estranho de tudo aquilo.
- Tens a certeza? Que estranho… Não percebo – disse ela.
- Não te sei explicar, é um feeling. E cheguei a enviar-lhe uma mensagem mas ainda não respondeu. Mas também pode ter o telefone sem som para não interferir com o espetáculo, não sei.
- Desde o funeral que sinto que não andas bem e que não seria má ideia tirares uns dias e vires ter comigo.
- Minha querida talvez tenhas razão mas não sei se consigo tirar uns dias agora.
- Vem, faz-te falta. E é verdade, o outro disse-te alguma coisa?
- Nada. Quer dizer ligou-me e disse-me que deveria escrever um livro, achas normal?
- O quê? Mas antes ou depois de ler a carta. Não percebi, não lhe perguntei porque me sinto tão envergonhado com aquilo. Mas pelo contexto ele referiu que tinha estado a ler artigos antigos que publiquei na velha época.
- Que medo! Isso não pode trazer coisa boa?
- Pois não sei, mas incomoda-me ter-me exposto tanto e no fim sentir que não há uma palavra do lado de lá, sabes?
- Claro, percebo-te perfeitamente mas isso também é bom. Assim ele só prova o como funciona aquela cabeça.
- Pois…
- Onde está?
- Estou já na Avenida da Liberdade a caminho de casa. O Louis vai lá ter. Chegou à pouco a Lisboa e sabes que não dorme sem um copo de vinho e um relatório da cidade na sua ausência.
- Ai que bom. Então vou-lhe mandar uma mensagem para ele te convencer a vir ter comigo a Versailles. E não aceito um não.
- Vou tentar. Na verdade acho que nada me faria melhor agora nestes dias.
- Então vá, ligo-te amanhã.
- Beijo
Lembro-me de desligar o telefone e estender a cabeça sobre a janela e estar a ver o céu por entre as copas das árvores. De me recordar das gargalhadas que dávamos com as nossas diferenças quando ainda vivíamos em Faubourg Saint-Denis. Daquela noite lembro-me ainda de fechar os olhos e sentir o cheiro forte do teu perfume verde que se entranhava na minha roupa e na minha pele e viajava comigo por onde quer que fosse.
Depois só me lembro de uma súbita travagem em grito e de um embate ensurdecedor. À memória recorro ainda hoje às luzes das sirenes da ambulância, que rasgavam o carro enquanto eu, imóvel, apreciava o silêncio absoluto da sua dança no teto.
Uma semana depois trouxeram-me uma revista social. A imagem. Lá estava a imagem em que anunciavas em surdina a companhia que escolheras para me substituir.
Fiz as malas para ir ter com ela. Efetivamente parecia-me já nada poder fazer aqui, e o descanso era agora imposto pelos especialistas da matéria.
Mas ainda assim ao fazer as malas perguntava-me que sentido teria aquilo tudo e sobretudo, até onde é que me posso ter enganado tanto em relação a ti.
Já no aeroporto comprei um jornal das artes. Li que vais lançar o teu novo projeto em breve. Soou-me tão estranho não estar por perto, soou-me tão mal tão pouco saber.
Sentei-me no aeroporto à espera da minha vez. Liguei-te duas vezes e não me atendeste, não me devolveste a chamada nem me enviaste uma mensagem.
Num resumo forçado espantei-me com a leviandade que com que desapareces.
Sentei-me e fechei os olhos até os segundo virarem minutos, e os minutos cumprirem as horas que me iriam arrancar dali.
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