sábado, abril 15, 2006

Too Drunk to Fuck


Fodasse…
Assim começa este meu post…
Já é de manhã e eu hoje percebi que me apetesse dizer asneiras.

Morremos ao som de nós mesmos.
Que noite fantástica.

Cheguei e ainda fui fumar um cigarro ao jardim… a luz permite-me e o silêncio da hora convidava mesmo ao momento.
Estou bêbado… o que não é inédito (segundo a fama que os meus amigos tanto fazem crescer)…mas o inédito é estar a escrever…
Perdoem-me já os possíveis erros mas também estou-me a cagar.

O que é q foi isto?
Alguém me explica?

Está ali um carro..lol…ridículo.

Ora bem, começamos, lindos e pimpões por beber um café na Brasileira…aquela hora era a única espelunca aberta. De lá, depois de uma conversa profissional, no mínimo, desinteressante, fomos até ao ClubMercado onde as trevas das danças HipHop nos faziam sentir a mais.
(Nada contra mas, de facto, eles eram profissionais do estilo e o nosso não tinha qq semelhança)
Depois da tentativa (ignorada, note-se, mais uma vez) de “picar o ponto” a quem de si era direito, fomos até ao Bairro onde nos encontramos com o Teny e o Rodrigo. Eu e a Princesa ja tinhamos decidido que a noite era nossa desse lá por onde desse.
Voamos até ao Frágil onde nos pediram 10€ de consumo mínimo!RIDÍCULO…desde quando?
Mas enfim, estavamos alegres por isso até paguei!
Lá estava, estranhamente a “feira dos horrores parte II”…só gente estranha e muito feia.
O máximo que ali consegui foi um apalpão de um horroroso qualquer.O medo!
Esgotados daquela “coisa” em que se tinha tornado o ambiente fomos, todos lampeiros, rumo ao Lux.
Esperavamos a surpresa da remodelação da pista.
Entramos, mais uma vez a pagar (“Ridículo parte II”) e rapidamente nos apercebemos que a remodelação tinha afectado também o público.
Quem era aquela gentinha que nem betos nem chungas conseguiam ser defenidamente?
Olhem, surreal!Parecia que, não bastanto fazerem-nos obras na casa, ainda nos tinham mudado os habitantes.
Enfim…dsesperados e conformados (já tinhamos pago mesmo) deicimos beber e ficar.
Em três tempos a música, fosse qual fosse, já me entrava nos ossos como água para chocolate.

Descemos às trevas do “talho” daquela que, em tempos, for a a “catedral de todos os múrmurios” e por lá fiquei para esquecer as velhotas que se tinham seduzido por mim sem eu querer.
Restavam-me os gays…aqueles que, até nos maus momentos, nos salvam o Ego!

Mas nem isso…tudo o que olhava ou era carbe velha ou podre de tão esquisa e disforme que era.
A depressão!
Até que chegaste tu…tu que tiveste a audácia de me ignorar durante horas mesmo quando dançavas junto a mim.
Enchi-me de orgulho (e pq o alcool ja o permitia) e fui lá.
Cumprimentei-te e, apesar das festinhas na cara que fizeste (sabe-se lá porquê…sim pq tu és uma criatua estranha, bizarra…e nada parece fazer sentido), deixaste bem claro que a tua presença ali estava “acompanhada”!
Ora poupa-me, quem era aquele mal vestido que até de óculos escuros estava?
É aquilo que andas a comer agora, bem sei. Mas por favor.É mau demais!
Depois da conversa da treta fizeste-me sentir deslocado e voltei à base.
Outras músicas passaram e tu ali ao lado, sempre indiferente.

Caguei pra ti e, claro, como é óbvio, continuei a dançar com as ilustres pessoas que me acompanhavam!Ainda nos rimos da ironia… quem diria que, depois de birras públicas me havias de ignorar.

Acho que estou a perder qualidades.
Eu devia estar verdadeiramente feio quando saí de casa porque esta noite, ainda por cima que estava a jogar ao jogo das pontuações “teasing” com a princesa, perdi a milhas de disntância.

Mas tu foste “a cereja” que caiu do topo do bolo.
Estou deprimido com a minha ausência súbita de sedução.
Não sei viver assim…por isso que a graçinha não se repita!
LOL

Ainda estou bêbado e um melro está a olhar pra mim mesmo aqui na janela dos meus vizinhos!
Hoje sinto-me “too drunk to fuck” porque estou.

Amanhã terei de matar alguém para voltar a mim…
A merda do alcool está cá mas não em demasia que me faça esquecer tudo quando acordar como em tempos fazia.

Princesa, melhores noites virão em que, pelo menos, possamos empatar!
Lol

Fodasse!

sexta-feira, abril 14, 2006

Anniversaire Bizarre … pour deux beautés dans la foire des horreurs




Tons escuros, veludos secos e revivalismos pretensiosos.
A intenção de base era das melhores, no fundo ele nem sonha o ninho de cobras onde adormece.

— “Allo…só para dizer uma cozinha. Chapéus, plumas e pestanas postiças serão admitidas! Dino Alves reinará no nosso dress code!”

Ora com estes dados a festa prometia ser, no mínimo, esteticamente agradável.
Tomada a decisão do modelito tomei a liberdade de avisar a “princesa” das “últimas festivas”.

— “Não posso, devo ter adormecido! Ai…e agora deixaste-me nervosa, já não sei o que vestir!…va, vou tentar arranjar-me o mais depressa possível”

Note-se que aqui o “possível” já se anunciava longo. Depois de passearmos por estes campos, de carro, em busca de uma café decente, para esperar a “princesa”, decidimos desistir.
À porta do “palácio” lá esperávamos nós sua excelência, dizendo mil e quatrocentos disparates sobre a vida alheia para nos entreter o cérebro e não fazer adormecer a língua, até que ela surge como sempre – giríssima de e sempre com aquele ar de quem acaba de saltar da capa da Vogue e ainda nem percebem muito bem como se passou do 2D para o 3D.

E lá fomos os 4 decididos a arrasar o povo todo com a nossa chegada que já contava com a habitual hora e meia de atraso! …sim, por sintonia ou cordialidade, estava ali a reunião perfeita de pavões que jamais chegam a algum lado sem a devida hora mínima de atraso. Ora uma pessoa produz-se para quê se não tiver já o público todo reunido para nos receber? Enfim, quatro pavões (uns mais mansos e outros mais bravos) em cena pela porta adentro.

Passados os cumprimentos e os primeiros flashes de picar o ponto ali estávamos nós.
Lindos de morrer naquela que nem sequer era uma boa “foire des vanitiés”. Sim porque entre imitações visuais de Courtney Love a CumSomDoLola tudo era válido naquele antro dos horrores. O som fazia-nos esquecer que tínhamos entrado noutra dimensão e os nossos egos disparavam a cada esquina de cada parede!
Entre personalidades da área alguns “amigos/conhecidos” a noite corria de uma forma agradável.
No fundo o que nos safou fomos nós mesmos…que em poucos instantes decidimos cagar para os chapéus do estilista, deixar de ter conversa de Carrie, e afastarmo-nos do reuno da fantasia de holofote e penetrar pela multidão de esquisitos que ali vibrava.
Ai mas foi tão bom…ainda assim os nossos corpos, ao som daquelas músicas, entre o batuque nos nossos acessórios (ah, é verdade, não sei se referi, mas eu levava, mais uma vez, as algemas no rabo) , faziam sucesso!

Oh músicas e formas de viver mais estranhas. Tenho a certeza que cada uma daquelas pessoas transportava um vírus de solidão qualquer que, por sorte, quando junto, no mesmo espaço, com mais de 100corpos com o mesmo vírus, as fazia sentir reais.

Cansados e com o relógio a mostrar-nos que no dia seguinte o dia começaria cedo decidimos ir embora.
À saída encontro uma daquelas coisas que adoro e venero como uma das mais inteligentes criações do homem. Um taxi e o seu taxista. Rapidamente consegui convencer a “princesa”, que de início se mostrava chocada com o absurdo, que deveríamos apanhar um taxi para subir as pouco mais de 4ruas que nos distanciava do carro.

Em apenas dois minutos e pouco mais de 4 ruas vivemos o insólito e maravilhoso que esta cidade nos oferece, sempre e garantidamente, a qualquer hora do dia ou da noite.
O TAXISTA!!!!

Nãooooo…é que ele era muito bom mesmo!
Dos alunos da Apolo ao bailes agarrados…ele já nos tratava por “tu” numa linguagem muito contida para não percebermos os imensos sacrilégios ao verbo que ele bem trancava nos dentes.
La se recomponha de si mesmo e, de vírgula em vírgula, soltava uma asneirada qualquer daquelas que só os taxista dizem quanto procuram a cera dos ouvidos com a tal da unha grande do dedo mais fino.
(Que me perdoem todos aqueles que, felizmente, sejam a excepção a esta regra)

Ouvimos de um tudo! Desde insultos sexuais a disparates programados que brotavam daquele cérebro lambido…foi surreal. Mas para mim, uma das melhores partes, foi quando ele decide descrever a sua aventura com a namorada no elevador do prédio dela.
Muito bom imaginar aquilo tudo e perceber que os nossos estômagos ainda eram forrados de ferro!

E finalmente chegamos ao carro e viemos para casa…
No caminho, sempre à conversa os nossos ossos faciais ainda nos permitiam as ultimas gargalhadas da noite.

Tinha sido uma noite estranha mas divertimo-nos bastante.
“Princesa”, bastamos nós os dois e a noite ta feita, já provamos!

Foi muito bom, muito bom mesmo.
Para a próxima levo uma arma… e como Upgrade passarei a disparar sobre cada pessoa que não me faça falta naquele espaço naquele momento.
Teria sido o abate das vacas se eu tivesse levado a arma ontem.
Mas foi bem melhor assim!

Porque mais uma vez recordo: “Foi bom, foi muito bom!”

segunda-feira, abril 10, 2006

Tango



“Acho que foram as cinzas dos cadáveres em mim. As cinzas dos corpos que queimei que me exfixiaram a pele.
A morte em mim para que eu sinta a vida.
A vida a mostrar-me o meu próprio filme.
O ver-me na plateia e,mesmo cheio de orgulho pela vida que tive, ainda a sentir frio.
São os ares da mudança...é a vida a correr-me nas veias como gosto de a sentir.
Com dor, com cor, com cheiro…com barulho, com silêncio, com tudo e com nada.
De qualquer forma lutarei. Cansei-me de não concluir ou edificar o que espero de mim. Agora voltarei aos velhos tempos, aos tempos a sós comigo num tango em que o outro corpo apenas terá vida se em tons de sangue.” – respondera com toda à firmeza aquando da pergunta “Porque estás assim?”.

Na noite anterior estava só.
Depois de uma discussão estúpida lembrou-se dos velhos tempos. O seu corpo atraissoara-o como ninguém. Perdera o controlo e as mãos tremiam com a raiva das lembranças. Aqueles tons de voz usados batidos com as palavras mais envenenadas soavam-lhe a dor. Nos corredores do seu corpo podiam-se ouvir os ecos do passado. Tudo gemia, tudo gritava no murmúrio de todas a emoções contidas naquela discussão.
“Dormes cá hoje?”
“Sim, mas não sei, naturalmente, a que horas chego.”
“Até logo…”
E ficou só. Desta vez não tinha sido ele a sair porta for a. Desta vez ficou.
Ficou a aguardar que o fossem buscar. Afinal era sexta-feira e a noite era para ser vivida.
No silêncio a dor espalhou-se pelo seu corpo e deixou-se invadir.
O cansaço que sentira não era novo e o que viria a seguir também não.
Olhou para o relógio de mesa e sorriu. Não de felicidade mas de compaixão pelo seu próprio corpo. Mais uma vez iria retomar à sua forma aparente para seduzir a noite que o esperava.
Levantou-se e deu início ao ritual, ao som de uma música qualquer que usava para o tão habitual “processo pavão”. Pois que viesse a beleza de volta que tinha um público imenso à espera.
Em frente ao espelho, enquanto se maquilhava, perfumava, penteava e dava os últimos retoques em si voltou a sentir a força daquela solidão. Não a sabia explicar só sabia que não estava bem.
Agarrou-se com todas as forças a todas a técnicas de mágia que a futilidade lhe poderia dar e levantou-se de novo erguendo a cabeça frente ao espelho.
Era a dança de si mesmo. Era uma dança que nunca for a a solo por muito que o aparentasse.

Brilhante e vigoroso lá estava ele de pé pronto para a festa.
Desceu as escadas ainda tonto com a dor. Mas até aquilo o fazia sorrir. No fundo até aquele momento tinha o seu charme, e ter consciência disso era uma prazer que só ele guardava. Era um gozo tremendo o de se esconder de si mesmo e sanguar a mil vozes num total silêncio abafado por mil gargalhadas. Era a sua loucura feliz, era o seu tango de vida.

“Boa noite, vamos a isto?”
E com um sorriso rasgado olhou para trás e despediu-se de todos os males prometendo voltar.

verbo M


" Mudar, v. t. (do Lat. mutare). 1.Transportar, levar de um lugar para o outro. 2. deslocar; mover; remover; pôr em outro lugar.
3. Dispor de outro modo. 4. Modificar; alterar. 5. Incutir outra direcção. 6. Trocar uma coisa por outra. 7. Renovar.
V.i. 1. Ir viver para outro local. 2. Transformar-se; tornar-se física ou moralmente diferente do que se era. 3. Adquirir outro aspecto. "

quarta-feira, abril 05, 2006

"there is no reason to be shy"


Sem dúvida irreverente, sem dúvida original e sem dúvida a conquistar muitos fãs!
Esta marca seduzio-me, va-se lá saber porquê!LOL

Aqui fica meus caros, como prova de que, sobretudo, as coisas boas são para ser partilhadas! ;)
Divirta-se que há para todos os gostos! ;)

(cliquem em cima do título deste post que é também link para o site)





segunda-feira, abril 03, 2006

Âmago



“ Vagueando pelas ruas Pietro sabe bem que o tempo escassea. Não corre porque na vida sempre aprendeu que de nada valia correr quando a mesma distância se podia percorrer a um compasso normal. Trazia com ele um mundo de pensamentos sobre os seres a quem ele cedia o destaque no seu cartaz.
Na mão levava um livro em branco porque em branco ele gostava de manter os olhos mais curiosos.
“Mas quem me diz a mim afinal que eu tenho que optar por isto ou aquilo senão eu mesmo?…se para mim não tem qualquer importância o rótulo em mim, porque raio não posso viver bem desta forma?…ora ora caro amigo… para mim já existem demasiadas prisões, como as de não ter asas, quanto mais estar a comprar outras tão mal esculpidas pelos outros que nada sabem.” – dizia ele num tom irónico mas sereno ao seu amigo de grandes assuntos ao caminhar para o café.

Junto à estrada, sempre a pisar canteiros, decidiu parar.
A luz da cidade estava naquele exacto tom que não existe em mais lado nenhum.
O barulho dos carros confundia-se com os dos pássaros que anunciavam o que ali vinha.
Era ele, do outro lado da estrada.

Deserto e petreficado ficou a contemplar a inocência daquela figura. Só um louco estaria naquele local à espera do nada.
Parou um carro e a inocência transformou-se em vinho… o vinho em alcool puro…e o alcool em sangue.
Sorrira-lhe minutos antes de entrar no carro. Aquele sorriso de quem sabia que outros olhos o viam e nada fazia, no encenar do seu gesto, que o denunciasse.

Iria começar a correria…iria mudar o compasso. Ele estava por perto e a viagem aproximava-se da insanidade naquele vinho.
Sorrio, olhou para o seu companheiro de caminho e disse: “Bem, estava a ver que nunca mais chegavamos aqui hoje. Ao que esta cidade nos obriga por um café decente.” …“

domingo, abril 02, 2006

Vinho a 3


Quebram-me os ossos assim.
Os gestos conduzem o vinho que, em espiral no copo de setim, se prepara para me atingir.
For a certeiro mas não fatal.
Os gestos confundem-se com os desenhados pelo nosso olhar, o som estala contra os nossos corpos e neles sente-se o rebentar dos nossos segredos.
Era um segredo do qual certamente já desconfiavas mas a loucura nunca te deixou acreditar.
Sim, aqueles gestos são o meu ponto fraco, sim aquele vinho amolece-me as veias e faz-me recordar os tempos que nada dependia de grandes decisões.

Soltaram-se os gemidos em silêncio e os perfumes misturaram-se na mais discreta e doce forma de dançar.

Acordamos, despertamos, e sentimos que temos que fugir daquilo para nos mantermos loucos e nunca serenos.

Sentimos o ardor das feridas que ambos a deixamos a descoberto um no outro…ao sentir a distãncia sentimo-nos seguros.
O que é que eu faço contigo?…provavelmente arrasto-te até à morte ou jogo um jogo ainda mais cruel. Quanto tempo levamos até, no descortinar de nós mesmos, puxarmos o gatilho e ouvir o estrondo sobre os teus ossos?
Mato-te, lentamente, ao som do prazer mais sofrido de todos.

Em que morte te sentirás melhor?…numa bem vermelha mas bem limpa. Numa bem salgada mas bem sucolenta… numa forte dramática qualquer.
Carrego o teu corpo até que, de tão embriagado, ele implore a sua morte.
Morte por asfixia de tanto conter o mundo nesses pulmões ou de um tiro certeiro nesse peito já cravado de lápides cinzentas.

Somos, de facto, animais dourados, porque o nosso brilho enche aquelas salas, aqueles palcos e os pulmões daqueles que por nós escorrem o olhar.
Somos dourados porque os nossos corpos são como montras de um talho cujos ganchos brilham forrados de diamantes.

Somos o tudo, somos o nada, como qualquer outro mortal que tenha na pele o sabor de morrer, mas sobretudo de ir morrendo sob a dor desta vaidade.