sábado, maio 13, 2006

Pink Flamingos


Sempre quase mas nunca tudo.
Sempre meio copo mas nunca um fígado cheio.
Sempre lascivos mas sempre bonitos. Sempre inteligentes mas nunca intelectuais.
Sempre a trepar as paredes por mil sexos, mil joias e mil ideias de projecções futuras… sempre em dança com os gestos do “certo” e do “certamente certo”.
Sempre em gemidos e nunca em gritos.
Sempre bronzeados mas não pretos…sempre giros e quase famosos.
Sempre sérios mas quase parvos.
Sempre em bico-dos-pés mesmo quando dançam uns com os outros na mesma sala às escuras.
Quase sempre perfumados da ironia de quem os circula… da vida que, em nós, levanta o sentido.
Sempre diplomáticos e quase brutos… sempre frescos e quase duros.
Sempre encarnado e quase preto.
Sempre assim e quase cansados.
Sempre loucos e quase felizes.
Sempre quase mas nunca tudo… porque o tudo é individual e o quase já é divisível.

...seja como for, seja onde for, continuo a gostar do cor-de-rosa e branco.


photo by DdiArte

domingo, maio 07, 2006

Arena Noir


Estava verdadeiramente brilhante.
No corpo envergava um faustoso casaco de pêlo preto. Tão brilhante que cada partícula parecia arrancada de um animal cuja pele fosse de seda. No peito a descoberto sentia-se o arrepio daquele imenso, mas discreto, colar longo de diamantes que cegava em compasso com os restantes acessórios de pulso.
Sobre o rosto bronzeado apenas trazia os óculos escuros que de tão negros faziam esconder a maquilhagem nos olhos.
O perfume era forte.

Ao amanhecer saiu assim da arena onde passara a noite.
Para trás deixou as cinzas dos corpos em que tocara.

- Já vais?
- Sim… amanheceu e a noite já partiu mostrando-me que já chega.
- …tens a certeza?
- Tenho. Neles já não deixo mais nada senão uma recordação da minha saliva.
- …e eu?
- Em ti não deixo mais nada senão a queimadura que tanto mereceste…
- Pára!
- Porquê?Não gostas de ouvir?
- Não é isso. Mas não me apetece…
- …pois é…e assim foges de ti e da tua vida mais uma vez. Isso… ao virar das minhas costas enfia a cabeça debaixo da terra, não te esqueças. O alcóol que ainda te resta nesse sangue já não será suficiente para amparar tanta tristeza. Morrerás sempre com um estúpido sorriso nos lábios. Morrerás sempre a cada repetição desta cena que crias vezes sem fim. E depois, eu, logo eu, é que sou o louco desta cidade.
- Não te estou a ouvir.
- Estás. E estás porque, por mais que fujas, trespasso sempre essa pele imatura em fúria.
- Serei mais um rebelde sem causa?
- Serás mais uma causa que insiste em ser perdida.
- Adeus, não me parece um bom momento.
- Nunca será porque sempre o evitas. Nunca será porque, na verdade, não é de mim que foges…é de ti e dessa merda que estrangulas na garganta.
- …posso?
- Tens a certeza que é isto que queres?
- Não, mas também não me interessa… não és tu que dizes que é meu dever deixar de racionalizar tudo?
- E é…
- Então?
- Então que amanhã morrerias se o fizesses. Não é assim que esse teu sangue ganha vida. Primeiro alimenta o teu corpo de vida real e depois, só depois, podes achar que audácia te é permitida no delírio de um arrepio.
- Sempre é verdade que trazes veneno nos lábios?
- Nem vou comentar… a verdade tu sabes bem qual é. Morrerás com o mesmo vírus.
- Mata-me.
- Seria mais fácil, de facto. Mas não tenho como matar corpos que nunca tiveram vida.
- Cabrão.
- Sempre, mas de uma forma que faça sentido.
- E é aí que está a diferença entre nós, não é?
- Olha bem para trás e tenta perceber… aqueles corpos desventrados só queriam a loucura de sentir a normalidade da condição humana. Pensa bem.
- Mas não fui eu o portagonista da noite…


Vira as costas e começa a andar em direção à saída. A meio pára, e ainda de costas, ergue a cabeça. Leva a mão ao bolso e acende um cigarro.
Volta-se em torno do seu próprio corpo.
Sorri e depois de um travo no cigarro dirige-se novamente ao único corpo que se mantinha de pé naquela arena, ao corpo que se mantinha suspenso à espera de resposta, e diz:

- O que é que tu queres afinal?

Levanta o sobrolho e, no silêncio da resposta, beija a testa daquela face desesperada e cheia de medo.
Coloca os óculos escuros e gira sobre si mesmo. De costas para o centro da arena caminha num compasso que enundava a areia de sangue. Sente as cinzas daqueles corpos por debaixo dos pés. Ajeita o casaco e ao sentir a sua textura recorda-se de quem é. No caminhar ergue o pescoço e sorri para si mesmo.

A morte nele maquilha a sua perfeição… mas a vida em si sabe-lhe verdadeiramente bem.

sábado, maio 06, 2006

Vestido de Negro


Vejo corpos a boiar na piscina.
Sob o olhar atento dos ecos destas paredes refugiava-me, sem modos nem maneiras, com gestos coreografados, numa taça de mousse de chocolate.
Sempre me soube bem o exagero de me sujar de doce.
O telefone tocou e senti o cheiro do acender de um cigarro.
Subi as escadas e o som que, em gemido, trespassava aquele quarto era o que tenho eleito nos últimos dias.
Sexo.

“Amor ao Canto do Bar Vestido de Negro”

Sentiu o sabor do vinho que, mais uma vez, tomavam os dois, mas a três.
Sexy, por curiosidade, era o seu nome… magenta, por ironia, era a sua cor.

Depois de um valente estômago que, por sado-masoquismo, mais uma vez, ela lhe dera, ali estavam… sem aplaudir, como se de esculturas se tratassem, no meio da multidão em euforia.
Tinham acabado de ser, de facto, esculpidos.
Os seus corpos estavam imóveis pela dor que mais ninguém tinha percebido naquela loucura sobre o amor.
Os seus pulmões sangravam pelo pânico da inteligência.
Os seus olhos estavam estáticos naquele universo do gesto.

A saliva parecia inexistente na tentativa de criar palavras que exprimissem o ódio pelos seus próprios corpos. A chave que achavam existente debaixo de uma árvores qualquer tinhas-se sido roubada em palco. Tudo parecia demasiado cruel para n ser real. Não lhes restava uma gota de sangue.
Silêncio.
Depressão.
Rodrigo Leão.
Mil passos deambulastes e lá estavam eles, mais uma vez, sentados a beber vinho.
Sabiam bem que a conversa tinha demasiado perfume e os corpos demasiada exaustão um do outro. A dor em que sucumbiam fazia-os brilhar e sentir-se mutuamente amparados.

Depois de um jogo infantil em que as coisas adultas são reveladas sobre as fantasias da pele… um “obrigado” pelo momento.

Pisou a calçada e ao vê-la partir apercebeu-se que a noite ainda iria somente no seu início.
Os corpos que tinha visto a boiar na piscina aguardavam ansiosamente por ele.
Era o vírus do seu sangue a espalhar-se pela pele e a prender os ossos.
A cada passo surgia mais um frame do sonho que tivera ao entardecer naquele mesmo dia.
Sabia que tudo era demasiado bizarro para não fazer sentido.
Sabia que teria que abater aqueles corpos de vez.

Sentiu o seu perfume a soprar no cabelo… estava em mutação de guerra e, no meio da multidão, gozava o prazer de cada passo.
Levava a arma carregada com 3 balas bem junto às costas.
E deu início à dança.
Entre corpos cavernosos e línguas sedentas sentia o odor da morte.
Os gestos desenhados no silêncio das suas roupas mostraram-lhe o momento.
Com toda a sensualidade e calor nos lábios segura a arma e prepara-se para disparar.
O orgasmo envolto em veneno gritava como o rasgar do seu peito.
O sangue subia-lhe pelo interior da garganta e inundava a sua boca sedenta de veludo.
Nas paredes sentia-se o preparar das marcas de suor e sangue.

Silêncio.
Afinal só ali estavam duas balas.
Na confusão das luzes da cidade teria perdido uma bala… perdido ou disparado.
Os frames do sonho voltaram a surgir a uma velocidade estonteante…Os olhos azuis e inocentes da personagem principal do filme semicerravam a loucura no arrepio do seu pescoço.
Recordara-se.
Antes de chegar aos corpos flutuantes já tinha disparado sobre aquele que, silenciosamente, continuava sentado junto à piscina.

sexta-feira, maio 05, 2006

Casados de Fresco


...e assim nasceu um casamento modernaço, liberal e, no seu todo, com uma cerimónia "muito à frente", porque tanto o noivo como a noiva são criaturas com uma personalidade muitoooooooooo carismática!!!! ;)

Beijo Babe
Ass: Tiago "Alcobia"