quinta-feira, novembro 20, 2008

Trust

photo by John Howard

- Trust everyone, but always cut cards. That thing my father never taught me. You know what that means?It means never trust anybody.
- If you're so good at reading people..
- Then why I lose?
- Yes.
- 'Cause you can't always win. You can beat players, but you can't beat luck. Sometimes you read them off. You read person right, but you still did the wrong thing.
- Because you trust them?
- Because you can't even trust yourself.

// music game

Foi-me lançado o desafio...
(responder com música)



1) És homem ou mulher? Movie Star // Roisin Murphy
2) Descreve-te: Quero é viver // Humanos
3) O que as pessoas acham de ti? Diamonds are forever // Marylin Monroe
4) Como descreves o teu último relacionamento: Etéreo como Alcool // Cibelle
5) Descreve o estado actual da tua relação: Breath // Telepopmusik
6) Onde querias estar agora? Gobblegigook // Sigur Rós
7) O que pensas a respeito do amor? Great DJ // The Ting Tings
8) Como é a tua vida? The Story // Nora Jones
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? I Want Candy // Bow Wow Wow
10) Escreve uma frase sábia: They Can Wait // Dani Siciliano


domingo, novembro 16, 2008

Contra Luz

photo by João Paulo

Junto ao museu da electricidade, 17h.

- Tu estás bem?
- Tu? Aqui?
- Isso pergunto eu, o que estás a aqui a fazer?
- Vim apanhar ar e aguardar o por-do-sol no Tejo.
- O quê? Tens noção?... tu odeias essas coisas...
- Eu preciso destas coisas, não sabias? Mas bem, e tu? O que fazes aqui?
- Vim ver a exposição e até encontrei a Laura lá dentro.
- Ela está aqui?...vou-lhe ligar... ela não chegará a tempo mas assim que escurecer ainda nos resta a noite e tanta coisa...
- Tu estás bem? Já viste bem como estás...simples.
- Eu sou tão mais simples do que aquilo que possas imaginar.
- Hum...ok...mas se precisares de alguma coisa liga. Eu vou ter que ir a Santos mas de qualquer forma estarei por perto.
- Ok, obrigado, mas não será preciso.

O sol afundou-se, por fim, no Tejo. Um espectáculo glorioso a que assistia quando sente uma mão sobre o ombro.

- Laura?
- Sim, seu eu meu querido...mas fala baixo. É lindo não é?
- Incrível, ainda à pouco falei de ti e achei que já não chegarias a tempo...
- Achas mesmo que o deixaria desaparecer sem o contemplar no adormecer?
Existem certas coisas na vida que sabes bem que preciso. Esta é uma delas. E existem momentos perfeitos como este...em que te encontro a ti também aqui.
- Ainda seremos os dois animais feridos que se arrastam no asfalto lambendo as feridas?
- Não... hoje aquecemos assim a pele para que as fendas não demorem muito a fechar.
Sabes que não tiveste a culpa, não sabes?
Sabes que também eu não tive a culpa, não sabes?
- Sim... acho que tens razão.

- Tenho... e agora vamos, já escureceu e estou faminta. Vamos regressar à cidade e procurar os clarões dos candeeiros.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Piaf...Piaf...Piaf

photo by Peter Stackpole
" A minha vida não tem nexo,
dar-lhe um rumo é dar-lhe um fim."

by Piaf

quinta-feira, outubro 09, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

The Pleasure is all Mine


Quando o segredo do amor se revela maior do que o da própria morte.
De repente estava ali, sentado, com o corpo totalmente dormente.
As luzes e as gargalhadas em redor do, agora vulnerável, pedaço de carne, recriavam o cenário de todos os bordeis.
As cortinas de veludo, com o vento, acariciavam-lhe as pernas numa qualquer parte que não conseguia reconhecer. O feitiço. A maldição.
- Theo, estás bem? Vou buscar mais umas bebidas... estás a precisar.
Gritava ela insana numa euforia em que a anestesia a fazia voar entre a multidão de morcegos e vampiros iluminados.
Os olhares, as línguas mal presas naquelas bocas... os dedos que percorriam as formas todas e de todos.

Theo recupera e levanta-se lentamente. A força de uma memória contaminada rebentava com o que restava da saliva no seu olhar. Era urgente beber... a anestesia estava a enfraquecer e com isso trazia a consciência de tudo aquilo que queria inconsciente.
Arrasta-se dançante por fim. Os seios de Penélope e o longo cabelo de Sylvia.
O perfume... o som. A vibração da mais repetida das orgias que, entre o som, quebrava os encarnados fortes de todos os tons, e bombeava a veias nocturnas de todos os prazeres. O sexo. A vaidade.

Camilla volta e desta vez com uma bandeja que pelo caminho prometia atirar ao ar juntamente com os seus vintage red shoes. Procura por ele que já não revê no corpo que agora o substituía naquela cama dourada.
Estava à beira rio, no bar.
Talvez se tenha cansado de esperar ou talvez tenha sentido a urgência de veneno naquela garganta. Erguia a pose mas não conseguia evitar que o seu próprio cabelo dominasse a sua face. Estava absolutamente morto, estava finalmente de regresso à vida em si.

Ao fundo acena com toda a cortesia despedindo-se assim de um dos corpos modelo com quem tinha partilhado a lascívia horas antes... ou minutos... nunca o iria conseguir definir. Era o prazer desmesurado pelo gesto, era a contenção do seu peito e a diligência do seu perfume.

Faziam exactamente dois anos, exactamente naquele espaço, exactamente com a mesma cor. As luzes encarnadas e magentas que entre os quadrados minúsculos dos puristas resguardos inundavam as caras, os corpos, os cheiros, os sabores de todos os figurantes.
Dois anos antes, naquele chão de madrugada imunda, tinha partido o colar de pérolas.
Estava até então secretamente a juntar as suas partículas.

Ergue mais uma taça de champanhe e brinda ao inferno. Recorda-se da sua vida e pergunta a um estranho o que fazia ele ali.
O estranho, num estado deplorável e profundamente infeliz responde:
- Estou morto, já não aguento mais. O sol já nasce e eu estou aqui a adormecer. E tu?
- O sol já nasceu e eu acho que acabo de acordar.


Abandona o grande palco, a sua velha Catedral dos Murmúrios, já à porta deixa-se registar.
- Só uma foto meu querido, va lá... não pensava ir assim embora sem deixar a imagem.

Fez o número, cumpriu com o seu papel e sem peso abandona a cena. Entra no taxi e sem olhar para trás sorriu. Agora não do estado físico nem do estado de espírito...mas sim do imenso prazer da vida em si e da brutal vontade de todos os regressos.

***

CONTUSÃO


a cor aflui
ao local, púrpura e baça
o resto do corpo
está sem cor,
a cor da pérola.
numa cavidade da rocha
o mar sorve obsessivamente,
uma concavidade, o centro de todo o mar.
do tamanho de uma mosca,
a marca do destino
rasteja pela parede.
o coração fecha.se,
o mar retira.se,
os espelhos estão velados.


Sylvia Plath (1932.1963), pela água