segunda-feira, maio 29, 2006

Fresh Bloom


...
E porque as imagens nos abafam a voz com a sua imensidão de expressões imediatas, e porque tudo em nós sobrevive com graça e muita graciosidade também. Existem verdes pastel, outros florescentes…mas existem verdes que, com a luz certa, nos abrem a porta entre dois carvalhos.
"Entre dois caravalhos existe sempre uma porta para a outra dimensão." A do sonho vivido, a da vida como deve ser.
Rodopia sobre o eixo de ti mesma…solta os risos que, na criança do “tu” existe…e sente a fragância de todas as particulas do ar que respiras. Do verde fresco, da alegria pelo calor e do florescer de tanto em ti.

domingo, maio 28, 2006

Pastilhas Gorila e Bolas de Sabão


Hoje não irei falar de nenhum de vós, até porque não me apetece senão falar dos que já seguiram outros rumos.
Recordo tudo e todos com o entusiasmo de uma estação verdadeiramente luminosa.
Lancei-me às teclas porque pensei falar de ti…
Sim, de ti… de quem nunca falei, escrevi ou tornei público qualquer pensamento.
Aos poucos percebo que já aqui moras…que este espaço já tem a tua pegada e já nem me lembrava do momento.

É estranho…
Mesmo à pouco quando falávamos era como se te ouvisse agora, algures num país distante, onde a chamada entre nós é dificultada pelo barulho estranho ou má ligação dos telefones.
Muito estranho.
Perguntaste-me se tinha ficado aborrecido (não por estes termos, como é óbvio, mas os teus não consigo utilizar com tanta graça)…
Não, claro que não.
Claro que, ao olhar para trás percebo o quão, ingenuamente, nos cravamos em nós. O quão doces eram os nossos corpos naquela época em que tudo nos era permitido.
Deste-me a conhecer, naquela noite, a liberdade do meu osso…mas na manhã seguinte, como uma bomba nuclear, o limite dessa mesma liberdade.

Foram lições várias entre terras, países e cidades, em que, fatalmente o destino nos cruzou.
Ainda me recordo das inumeras viagens que nunca te pude explicar… ainda me recordo das inúmeras perguntas às quais nunca ouviste resposta.
Hoje posso…mas não quero.
Os anos passaram sobre o nosso sangue e já não fará o mesmo sentido.
Será tudo diferente mas apenas de outra forma.

E acabei por falar de ti, logo hoje que não queria falar de ninguém. Irónico… talvez tenham sido esses mesmos tecidos sobrepostos, esses fios de linho e vozes, em que sempre nos tornámos anónimos, que tenham gritado agora.
O secretismo trouxe-nos a calma… mesmo nos loucos anos de euforia.

Mas hoje o sol já vai baixo, e com ele um calor que me desperta para a vida.
A vida que tive, a que tenho…e sobretudo, a quero viver amanhã.
Cheira-me a verde…
E a Luz fica em tudo tão bem.
Apetece-me uma groselha, uma limonada… um mazagran… e um crepe com gelado.
Hoje não janto…não me apetece…
Vou em busca de pastilhas gorila e bolas de sabão!

Emabalo a 3


Ontém foi uma noite estranha…
A agitação corrente era-nos cortada pelas rasteiras desta cidade.
O irónico e descabido tomava conta de nós.
Os novos porteiros da cidade não nos conheciam porque vinham de longe.
Os espaços longínquos que nunca frequentamos recebiam-nos de braços demasiado abertos.
Somos felinos de outras arenas…mas ainda assim teve graça.
Nos corpos reinava o cansaço de uma noite quase perdida.

Hoje ao sabor do calor que caía sobre esta cidade todos os porteiros nos iriam receber… mas hoje, em nós, não cabiam grandes excitações.
E lá estavam os três, quase famosos, em busca de rigorosamente nada.
Cigarros, cafés, martinis e raciocínios elevados sobre planificações complicadas tinham ficado no teatro.
—“Apetece-me passear de carro pela cidade” – disse, formosa, a Madame Savant Abri.
—“Why not?”
…e lá foram, ao sabor dos devaneios naifes da Mademoiselle Vert Citron que, como um real coker se comportava de língua de for a ao vento pela janela do carro.

A cidade trazia luz ao “não pensar em nada”… o abrigo em nós suportava-nos porque mais, na verdade, não era preciso.
As luzes arrastadas pelo semiserrar dos olhos deixavam que o silêncio das músicas vãs nos inundassem de tranquilidade.
E foi tão bom.

—”E agora?”
—”Eu hoje ía pela marginal…apetece-me.”
—“Vamos…”

Marginal a dentro lá foram eles…praias, carros, pessoas que, às 3h da madrugada continuavam a perceber que, noites quentes como esta, não podem ser vividas a sós.
Minutos, músicas, fumos de cigarros que dançavam no silêncio do “não vazio” celebravam a vida de alguma forma que até mesmo a nós nos passava ao lado.
Não por lhe sermos indiferentes mas por nela, em consciência, reconhecer-mos o valor de todos os momentos, mesmo os tão triviais ou sem, aparentemente, nexo nenhum.
E é assim que a liberdade se manifesta em nós… é assim que, em nós, tudo e nada faz sentido de qualquer forma, em qualquer lugar, ao som de uma música qualquer.

Um grande bem haja a vós e que a noite vos embale como me embalam em todos estes momentos.

quinta-feira, maio 25, 2006

Lalique Child


"E saberás tu quem és?
Esse olhar de criança nefasta… essa cara de controlador ingénuo.
Esse brilho de parque infantil.
Essa força de conhecer mais.
Essa carne tão exposta.
Esse peito tão protegido…esses lábios defendidos.
És a luta entre poder e o ser.
Não se pode ser vilão contigo por muito que o desejes… és o bom da fita por muito que o odeies.
Esse perfume de magnolia ainda a florescer. Esse peso do pior que a sociedade faz por nós.
Essa educação acutilante e esse apontar imóvel. São a raiva dos porcos e o brilho da pérola perdida em ti. São as chamas dos rastejantes e o tocar do vinho.
Um dia, gostava de poder pensar que, no recordar-me, percebesses que se não o fiz foi por ti e se o fizer será por tudo.
Ainda assim continuo a dizer que devias ser preso.
Todos os que matam o merecem…e n há pior pecado do que a morte em nós mesmos.

Ainda assim acredito que tudo em ti se move pelo contrário do que queres ser. E isso tranquiliza-me o pensamento. Tranquiliza-me a dor de pensar numa criança abandonada num hiper-mercado.
Tudo em nada, nada em tudo a servir-te de grua.
És ainda o fermentar de um vinho cujo o sabor será, por mal ou por bem, um sabor viciante.
És a vibrante paixão de nunca estarmos sós.
És o gritar de uma forma naife no meio de um salão cheio de peças de Lalique.
Inspira e expira… que no fôlego terás sempre quem te abrace o dia desde que o vejas e pouses os calcanhares no chão cheio de terra.

Apetece-me rir…
Porque por mais que te esforces eu sei bem que não te irrito como pensas. Por mais que esforces eu sei que por aqui estarei e tu, no fundo, não viajas mais porque não queres.

E no travo de um cigarro, ao som de uma música cujo nome exalta a ironia da tua vida – “Zero” – não deixo de pensar mas deixo de escrever.
Que se queimem os registos desta demência conjunta porque em cinzas sabem sempre bem melhor!"

terça-feira, maio 23, 2006

HeartBeats e Sapatos Brancos


"One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn't be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night"


E se alguém perguntar por mim...
Diz-lhe que fui comprar sapatos brancos.
É isso que quero calçar amanhã e é isso que quero que suporte o meu chão.

;)

sexta-feira, maio 19, 2006

Corpo Cansado


Aqui, hoje, mora um corpo cansado em mim.
Depois dos sonhos, em que tudo significa, veio o dia em que tudo marca.
O sangue estava morno, e nele navegava o frasco de perfume que acabo de partir.
Cheira-me a tabaco e na pele trago um travo de gota de alcóol.
Hoje cansaram-me as vozes... hoje cansaram-me as vidas... hoje o meu corpo adormece na exaustão de uma vida em consciência.
Trago feridas abertas a todo o instante, e nesta fase a humidade dos pensamentos não me as ajudam a sarar.
Foram horas a mais a vasculhar nos ossos o que realmente queria dizer. Foram horas a mais de vida para deixar descritas em tão pouco tempo.
Foi o vinho, a pluma, a terra e a perversidade dos corpos que me engoliram o calor... que tornaram este corpo num pedaço de carne em repouso.
Morro em mim por vós e decido matar-vos em mim.
Estou cansado... sinto os pés dormentes e já caiu o nevoeiro sobre a tinta amarela da linha onde caminho.
Hoje vou dormir sobre mim, sobre vós... hoje sinto o corpo cansado num quarto de hotel em L.A.

quinta-feira, maio 18, 2006

Mary Mary


"Somos corpos que se cultivam sobre o mesmo virús... somos mentes demasiado atentas para não sentir que o verter sangue, doi. Neste mundo de loucos invisuais que tudo nos exigem e em tudo nos devoram."