terça-feira, outubro 03, 2006

Warrrrrrrr...

Dangerous Liaisons

Marquise de Merteuil

"Warrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr..."

segunda-feira, outubro 02, 2006

...wait.

Vanity Fair


O mensageiro chega e, com alguma pressa, anuncia o que o traz.
Da mão, desprende-se de um e envelope em tons pastel neutro.

- Está tudo bem?
pergunta o criminoso à vítima daquele envelope.
- Está, está...
- Se eu puder ajudar...
- Eu aceito...obrigado.
- Será com o maior dos prazeres.
Segue-se um momento de silêncio.
A noite naquele jardim já se aproximava fria. Na verdade estavam todos lá dentro em diversão e só aquelas duas figuras se encontravam no jardim.
O cavalheiro afasta-se e indica que retornará à casa.
A felina e clara figura de olhos azuis, ao perceber, contorna o rosto até ele...
- Antes de ir, posso fazer-lhe uma pergunta?
- Claro.
- Porque me ajudaria o senhor, se, na verdade, mal nos conhecemos.
- Podia até dizer-lhe que seria apenas generosidade da minha parte... mas seria mentira.
Na verdade a vaidade em mim não a comporta a si por perto. A sua fuga, também a mim me dá jeito.
E quem diria não acha... A senhora, logo a senhora, a aceitar a ajuda de um estranho.
A vida dá grandes voltas, mas reconheço-lhe eterenamente o equilíbrio neste "carousel" de feira que produz.


Entre a maldade e a ironia, os dois eternos assaltantes perceberam que ali seriam sempre os criminosos e, naquele momento, se separados, as vítimas.
Anoiteceu e o baile começou.
Dançaram uma última valsa e desapareceram entre a multidão.

Vai chover, na certa…


“E sobre eles pouco se sabe…”

Podia começar assim…

“A vista sobre a cidade emoldurava-os de eles mesmos..”

ou assim … mas hoje o piroso não me soa nada válido.

Sento-me aqui, com as palavras nos dedos, e os ossos controlam-me o seu limite.
Os tecidos, que constituiem os pequenos músculos, contorcem-se silenciosamente para evitar o gesto. O sangue ruma sem direcção certeira…e algo, no cérebro, envia a informação de que pode não ser para norte.

Na manhã seguinte o dia acorda em pleno Outono.
As nuvens cinzentas, carregadas de Inverno, anunciam a despedida do calor tropical que se vive aqui.

Acredito cada vez mais na perfeição das coisas belas.
Na beleza da vida em meu redor.
Na sublime atitude de cada gesto, controlado, dançado ou até mesmo livre e desgovernado.

Hoje acabará por chover.

A água lavará o chão que percorro, tenho a certeza.

E o irónico que dança sobre o festim de todas a dores e lições de vida?…
Insane, sorriu ao espelho e pensou:
“E o bem que me soube deixar a poltrona de veludo e andar descalço pela calçada…”

E, se por um único segundo apenas, eu pudesse retribuir o que fizeste por mim em tão pouco tempo. Se eu pudesse… Nem imaginas.
Obrigado. …mesmo, muito obrigado.

E que palavras tentavas cravar naquele abraço?

Sinto-me hoje doralice… e a gargalhada em espirais, em pontas descalças, rebenta em mim sobre toda e qualquer insanidade.
“Não sei, juro que não sei… juro que me perdi. E preciso que me o digas.”
Foi um “até sempre e nunca mais.” ou um “até amanhã e dentro em breve se possível.”?


Vai chover, na certa…
Espero que chova, a chuva faz sempre bem… “lava a alma” como diria a Cibelle!!!

Mas que não chova em silêncio, pois que chova sim, mas em forma de qualquer coisa.
O silêncio e a “não forma” (seja ela qual for) hoje não me saberiam a nada…e o nada é o tudo o mais que não quero no rebentar deste Outono que aguardo felíz.

domingo, outubro 01, 2006

White Horse II

Swing


Na cozinha, a preparar o jantar, entre os relatos de uma vida em festa, 3 amigos começam por ser brindados com as teclas de um piano.
Formas felizes de pele e pranros cravados no sangue, eram cobertos de vinho e diamantes entre a euforia silenciosa da degustação.
Um telefone toca, e outro e outro… finaliza-se o ritual de todas a belezas e da-se início à correria de uma noite de sábado nesta cidade tão avermelhada.

1ª Paragem – Encerramento da Luz Boa, onde todos se econtraram e todos se brindaram a sucesso comum.
Mais um copo e o sangue, em êxtase, liberta em perfume o sexo em cada um daqueles corpos em euforia.

2ª Paragem – Bairro Alto, quando a calçada geme por mais, mais e mais… deliniam-se os devaneios, as suspeitas e os crimes perfeitos de todos os criminosos bem vestidos ali.

Lisboa assitia, com ânimo aqueles hábitos vampirescos, aquelas personagens e aquele público do hábito.
“Estavam giros…mesmo giros.” Ouviu-se o relato ao virar da esquina.

E o sangue já enundado de alcool, gritava por plumas e sismos cintilantes.

Última Paragem – Talho, onde todos os corpos, dispostos por peças, se oferecem aos presentes e aos ausentes.
A memória regista figuras, luzes e animais em nós. Estavam lá alguns.

Dois amigos libertinos e dois chapéus pronto a servir.
Dançam-se os corpos e os sexos, tocam-se as peças e os perfumes… a música, em completa loucura auditiva, ferindo os ouvidos deixava o rasgar dos corpos em coreografia.

Por momentos ouve-se alguém.
“Swingers, é o que vocês parecem.”

Dois a dois, quatro por quase mas sempre três em permanência.

“Ou levo dois chapéus para casa hoje ou não levo nenhum.” – disse o rígido ao ouvido dos cúmplices daquela dança de estímulos, ego e erecções.


E foi assim, que, por momentos, aqueles três fantásticos, que de vinho e piano se tinham forrado, na companhia de outros tantos amigos, deram de beber aos sedentos, apenas com a ilusão de um swing em diversão.

“Vamos embora?”
“Vamos… mas primeiro temos q nos despedir…”
“Claro.Vai tu primeiro.”



“Muito gosto e conhecer-te…!” denuncia a criatura bizarra, ao vê-los partir com tudo, sem nada a mais que o desejo, deixar naquele chão ensopado em carne viva.