sexta-feira, abril 28, 2006

Cheiro a Novo


Hoje cheira-me a sol…hoje cheira-me a novo.

Tudo se encaminha para a mudança, tudo acontece, tudo se faz.
As pessoas à minha volta giram sem parar numa dança que começa a ter vida.
As personagens que povoam o meu universo começam a tornar-se reais.
A minha demência começa a tomar novos rumos.

Hoje será uma boa noite para movimentações em novos tabuleiros de xadrez.

O sol rasga-me as paredes e eu decidi reviver velhos tempos musicais… na aparelhagem reina uma senhora que em tempos me fez feliz. Nos ossos trago ainda as notas do concerto que ontém me encheu a alma.
Hoje é um dia de tributo à vida feliz que todos podemos ter bastanto apenas torna-la uma história.

Hoje apetece-me sorrir a pessoas estranhas. Hoje apetece-me conhecer alguém. Rever alguém que já não veja há muito tempo e relembrar as histórias em comum. Ver coisas e gente colorida. Ouvir sons e sentir cheiros novos.
Hoje apetece-me uma noite verde-limão!

A “Princesa” vai a caminho da paz de um fim-de-semana no campo.
A “Sapatilha” já chegou ao Algarve onde ela tanto se sente bem.
O “Teny”, mais logo, ruma em direção a Albufeira para um fim-de-semana romântico e animado.
A “Neide” continua em Amesterdão.
A “Karains” prepara o seu fim-de-semana com parapente.
A “Mrs.Daloway” e o “Saul” preparam-se para mais uma noite de animação com muitas plumas e glamour (ou nem por isso, ainda n decidiu).
A “Pionés” prepara as malas para Cuba.
O “Peter Pan” está a mudar de casa e está feliz.
A “Mafe” prepara a “reunião de fantasmas” de amanhã.
O “Di” degusta os sabores de Berlim.
A “Be” prepara as malas para Cadiz.
A “Grossa” tem um jantar animado.
O “Pinóquio” lá terá um programa qualquer com o saxofone ou a tangerina.
A “Suelly” está a brincar aos empresários.
E a minha “Sapatona”, a minha "cosa mai linda", está a escrever!Inédito, mas feliz.

E a vida corre-nos bem… estamos todos em movimento (só não mencionei os que, em movimentos menos felizes se econtram, que também os há, e ainda bem porque também faz falta) e hoje quero é sair e saltar nas passadeiras pisando só as listas brancas!

E pronto… vou tratar da minha noite, do meu movimento, de nada mas no fundo de quase tudo!
Um grande bem haja a todos os que me despertam a consciência…
….e uma noite em grande!!!

Alguém Maior



Alguém Maior

Alguém que nos encheu de uma imensidão jamais imaginada num tão curto espaço de tempo.

Todas as surpresas, todas a vozes, todas as cordas...todos os corpos erguidos no palco formavam um género de oração comum.

Bom demais!

O senhor: Rodrigo Leão

"hoje o céu está mais azul...eu sinto..."

segunda-feira, abril 24, 2006

A ti, minha “Mrs. Dalloway”


Sou abraçado por uma felicidade estranha.
A calma e a serenidade deste sol que inrompe pela minha janela a dentro diz-me que estou bem.

Hoje decido este sol a ti.
A ti que de tão complicada o fascínio nos prende, mesmo quando o máximo da expressão dos nossos dedos seja um gritante desistir de te compreender.

Desse lado, bem perto do local do crime, onde os diamantes que traziamos cravados à pele foram violados, revelando-nos toda a nossa vulnerabilidade, estás tu a trabalhar. Mas aí o sol também sabe sempre tão bem.
Hoje revelei-te um segredo e, estranhamente, fez-me sentir bem.
Porque certamente,de alguma forma, o chão por onde caminho, indica-me que foi correcto…

Tenho, de alguma forma, saudades daquilo que fomos…mas sei que isso também é bom.
Revelo-te o segredo porque te sinto, contra tudo e contra todos, contra ti mesma e contra mim no meu sentido mais racional, maior.
Foste colhida pelo mesmo virus que eu e isso fará de ti alguém, cuja a certeza de perceber o que aqui digo, me afaga.

Gosto de ti mesmo que me irrite essa pluma em vives. Gosto de ti porque, mesmo que n me o reveles, sei que sentes a dor daquele virus cintilante. Os diamantes em ti estão cravados até ao osso e isso faz-te sangrar em silêncio sem que não deixes ninguém dar conta. Talvez seja uma ilusão feliz essa de que ninguém te vê senão naquilo em que te queres mostrar…talvez.
De alguma forma te compreendo porque, de alguma forma também, vivi sempre assim até ao dia em que criei este segredo que te revelo.

Hoje sou pluma mas também carne, sou osso mas também sangue…e a vida em mim rebenta de felicidade a cada segundo, a cada imagem, a cada toque. Não porque tenha chegado a algum lado especial, mas porque saí desse lado tão silencioso e tão sufocante.
Hoje vivo uma vida feliz porque as plumas em mim são apenas uma adereço ou um código de diversão…porque os diamante são apenas a minha história e parte da minha pele que também gosto agora de deixar a nu.

Hoje apetece-me um bom vinho, um bom queijo mas também posso ficar pelas gomas e um copo com água.
Hoje dedico este sol a ti que, secretamente, cresces em silêncio, sufocada em ti mesma, mas, à tua forma, feliz.

Hoje dedico-te esta minha felicidade porque os anos que já serviram de estrada entre nós me dizem que, por muito que faças, por muito que te distancies, nunca mais te verás livre de mim.
Porque eu não deixo, porque eu não quero…porque entre nós, bicho colhidos pelo mesmo virus, está escrito que viveremos sempre próximos.

Até logo…até sempre “Mrs. Dalloway”.

Breakfast on Pluto


E porque ainda há filmes que nos surpreendem, aqui fica a sugestão!
Estava eu à conversa com a minha caríssima e ilustre companheira de todas as sessões quando, iluminados, percebemos que este é um daqueles filmes que estará apenas ao alcance de alguns.
Nas entrelinhas do que irão ver e ouvir está a Vida no seu todo, com a ironia que apreciamos, sempre a sorrir-nos como Patrick.

http://www.breakfastonpluto.co.uk/

Silence I

No decorrer dos dias e dos acontecimentos, suspeitas e surpreendentes presenças levaram-me a ler coisas que me fizeram recordar outros textos, outros tempos, outras histórias.
Apesar de ter já quase um mês em cima desde a sua data de origem, aqui fica, porque não, mais um fragmento deste espaço.



" Estava ali sentado na minha poltrona branca quando me vejo projectado sobre a cama.
Estava calmo, em silêncio, deitado sobre a cama mas com os pés para a cabeçeira, de barriga para o ar e, num olhar estendido e invertido abraçava o sol que entrava pela janela de chapão na minha cara!
Aquecia-me, como gosto de sentir ao som de uma música qualquer.
Quando consigo estar só gosto de pensar… e tanto melhor, se for de pernas para o ar, com os cabelos a indicar de onde vem a força da gravidade, e a cara aquecida pelo sol.

Estava ali e lembrei-me que do outro lado do vidro há vida em marte. Lembrei-me do que tenho lido e vivido nos ultimos tempos. Do que tenho dito e feito…do que tenho ouvido e sobretudo, do que não tenho pensado.
De alguma forma, e para esta preciso de encontrar resposta, foi na tua história que encontrei o alento que perdera já há algum tempo. Estranho…muito estranho.

Hoje morreu o João…
Acordo e, entre raios de sol e um silêncio feliz oiço a notícia: “Até estou a tremer… Acabo de vir de casa da Rita, o João morreu!” dizia a minha mãe com aquele ar que só ela consegue ter a sentir a dor dos outros.
Não que eu fosse proximo do rapaz… se falei com ele umas 3 ou 4 vezes, entre as naturais saudações de vizinhos, fora muito. Mas era novo, era ingénuo e era mais um filho daquela pobre mártire que já enterra o 2 ou 3 (já nem sei),e era mais um João. Hoje morreu mais um João.

O dia foi estranho…estranho porque chegou a Primavera há uns dias e eu sinto que o meu Inverno não quer partir. Esteve calor mas humido…não choveu mas esteve sempre quase. Esteve aquela luz…aquela luz tão especial.
À pouco, enquanto estava sentado, foi exactamente disso que me lembrei…
Acho que passei o dia a acompanhar esta dança do tempo…do clima…da forma, da cor.

Estou assim, como o tempo…
Sei que a Primavera já chegou mas ainda não a tomo como certa… deixo que o meu Inverno se prolongue por mim abaixo porque é nele que eu me sinto acolhido. Por um lado sei que este Inverno já chegou ao fim e que com ele foi o momento de inércia… terei que respeitar o ciclo e seguir os impulsos da Primavera. Mas não me apetece…não hoje.
Apetece-me tudo e não me apetece nada. Estou assim, estou de outro modo qualquer.

Ao olhar pela janela avistei o possível sabor que a terra, já tão saturada da humidade, poderia assumir.
Apetece-me perceber e confidenciar o que penso às pedras da tua calçada.
Aqui a terra mostra-me que estás longe. Aí as pedras mostram-me que estou perto.
Quem era o tal casal de idosos de que falavas à pouco?
Que histórias carregam aqueles corpos já cansados de viver? Imagino-os baixos e fortes. Com um olhar cheio de morte, cheio de solidão mas bastante compreensivo.
Que corpos somos nós que encontramos a solidão em cada vértice de um qualquer desejo.
Às vezes o frio rasga-nos a pele e deixa feridas abertas.
A dor que elas nos trazem, trazem-nos também o inefável prazer de pensar. A análise do mundo cabe-nos a nós no auge das nossas pretenções.

No fundo da rua está um corpo jovem à deriva. Anda, vagueia, sem se despistar. Os seus ossos já conhecem o caminho e os gestos. Regressa a casa, mais uma vez, mergulhado no pior dos sentimentos.
Está dormente…já não sente os pés, as pernas, os braços…o tronco. Resta-lhe a dor dos pulmões que ainda se enchem de coragem para mais um gesto. Nas mãos procura a memória da última pessoa que as acolheu.
Sente a dor que nos tráz ao mundo…sente o parto de si mesmo.Sente mas, de tão dormente, não o exprime de forma mais entusiasta do que um suspiro, coreografado com um pestanejar dançante.
É a morte.
É a vida.

É o abandono dos nossos ossos, das nossas carnes…do nosso sangue.
Somos aquilo a que nos propomos…e enrolados no fascínio de mil coisas acabamos enliados na dor. Essa teia tão familiar e tão maternal. Na dor podemos mergulhar sem correr riscos porque nada nos será tirado. Morremos assim lentamente, sentindo o prazer que nos tráz a consciência de viver um espectáculo.
Mas ainda não serrámos os olhos, apenas nos alimentamos desta dança de andar sempre perto.
A agonia e a dilatação das nossas cordas vocais enche-nos o peito de ar. Sofremos em silêncio o preço desta felicidade esquecida.
Sabemos bem que estas contrações musculares um dia terão que se tornar noutra coisa qualquer. Sabemos bem que não passamos de mais um bicho que vive de metamorfoses. Sabemos bem muita coisa mas nem para tudo temos a resposta.

A beleza é o pronúncio dos nossos olhos.
Em tempos, à porta de uma muralha, mesmo sentado sobre as pedras, estava um velho.
A sua cara era deliciosamente esculpida com as rugas de muitos séculos. O seu cabelo era de um branco respeitável. “Chega-te a mim rapaz” disse ele.
Eu era uma criança mas jamais me esqueci o que me contara. Nunca o partilhei com ninguém mas no sentir do meu crescimento e na dor desta doença de ser pensante, acredito, cada vez mais, que me revelou um segredo da vida.

Carrego o corpo cheio de mim na esperança que outro corpo o consiga suportar. Estou desmaiado e sigo nos ombros de alguém que já não tem alma.
Sigo e vagueio no delírio tranquilizante de trazer os olhos semi-serrados. É a ausência de sol, é esta a luz… é o calor, é a humidade que se esbate na minha cara e no pouco de braços que trago a nu. Os meus cabelos já não me indicam o norte. Já não tenho diamantes para verter nem vontade de gritar. Estou assim, carregado e conduzido pelo vazio de uma alma que não me quer sequer ouvir.

De que me servem os corpos que trago vincados nas mãos… as cinzas daqueles que faço arder. As danças e jogos difíceis de decifrar… a loucura ou o abalão do erotismo pujante. Hoje estamos sós… por muitos fascínios ou por muitos delírios que estes corpos conheçam…estamos sós.

É a morte.
É a vida.
"


26.Março.2006

O prenúncio da morte.


Ouvio o barulho lá fora …

O vento estava quente… as folhas das árvores faziam um barulho estranho… era o vento do norte que o empurrava para a porta.
A caminho da interpretação ouviu o seu telemovel.
Era ela em tão curtas palavras como “Vou a caminho da tua casa. Por favor, diz-me que posso. Preciso de falar contigo.”
Gelou, parou de olhar e os seus lábios secaram.

Ela entrou por ali a dentro e trazia, nas costas, cravado o desejo de ser seduzida. O suor escorria-te pelas costas de tanto que ardia naquele desejo que sempre os descontrolou… duas ou três palavras, um ou dois gestos… um passo. E lá estavam eles. Munidos das mesmas armas com que se caçaram durante anos e a beber as últimas gotas de veneno que ainda conseguiam extrair.
Era doce, era vertiginoso… os nomes repetiam-se mas as personagens não. Apenas se assemelhavam às de antes. Mas ontém estavam diferentes.
De cada travo de ar que controlava no seu peito a dança entre os seus ossos parecia cada vez mais infeliz… dançavam porque se tinham encontrado para dançar como sempre o fizeram. Os nervos já estavam secos e com eles tinham levado o palpitante vigor da adrenalida dos seus beijos.
Era ela que ali estava…mais uma vez deitada sobre a cama que o embala quando o corpo já não tem par. A sua pele parecia mais clara do que nunca. Podia sentir o arrepio da pele dela na ponta da sua língua que dançava ao compasso das palpebras da infeliz.
Estava nua mas não lhe pertencia. Ele stava louco,mas não por ela.
Estavam mortos e sentiram os arrepios na espilha como quando na presença de mortos se está.
Deixou-a dançar o grito da travagem brusca…mas bem sabia que o conhecia e que, na presença dos seus olhos, percebeu que não estava só naquela vontade.

“Sempre fui melhor actor do que tu, nunca o escondi. Sempre fui mais cortez do que tu, sempre o sentiste. Sempre menti melhor do que tu, tu sabes.”

Sabiam que não tinham sido os seus corpos que perderam o interesse. Sabiam que não for a a sua pele que morreu. Fomos eles mesmos, em contacto um com o outro, que morreram de uma só vez.
As lágrimas de um futuro nunca projectado e de um passado tão incompleto fizeram sentir a certeza daqueles arrepios.

“Continuarei a recordar-te para sempre… aquela data nunca será passada em branco, prometo.
Que o nosso toque, o nosso olhar, de dois seres que sempre se compreenderam mas nunca falaram a mesma língua, nunca se perca nas nossas memórias. Que os nossos lábios se serrem como antigamente e não são sai de nós mais do que um simples “Adeus” para não nos ferismos mais.”

Foi triste… mas teve que ser assim. De outra forma não poderia acabar, no fundo a vida continuava-lhes a sorrir. Mostrou-lhes o fim daquilo que os unia por aquilo que sempre os prendeu. Foi demasiado triste mas de outra forma não chegaria a afectar aquelas veias já quase sem dor.

“Ontém morreste em mim.Ontém morremos em nós.
Foi contornar de vez a rua…Foi o prenúncio da morte.”


27.Março.2006

domingo, abril 23, 2006

O Clone



…Sem dúvida Teny…
Já tinha saudades de poder ler esse veneno depois de uma noite feliz…lol

“This is sick”
Aquela criança que, horas antes, nos passava com um andar firme e um olhar seguro, no desfilar por aquela calçada, mesmo junto a nós…é um ser bizarro.
É a inocência em formato digital. À primeira vista quase que sentimos a dor do ser naife, por ele, por nós, pelos seus pais, pelos que o, supostamente, o deviam rodear. Mas em pouco tempo ele próprio nos mostra que que a sexualidade já nasce conosco e já nos escorre em forma de suor, pelo corpo onde molda as nossas formas, desde o berço.
É a lascívia, é o pudor, é a moralidade e o perconceito, é o ser arisco e o ser devasso…é o ser tudo mas ainda muito por ser. São aquelas paredes imundas de sexo… onde transpiramos o prazer que nos dá aquilo que tu descreveste tão bem.
Como será que ele se chama?Que idade terá ao certo? …quanos orgãos já consumio e no que pensará quando geme?…Quando surpira parece maior. Parece um de nós, já entendido nas artes de rebentar num só grito.

É no fundo assustador o prazer que se rouba de uma infância que a nós nos aflige… Ele parece-nos estranho, nem nos parece real. É, sem dúvida, o clone do seu grande original… Um clone que ainda se forma e ainda tropeça na sua imaturidade e na sua estranha forma de sugar o ar cavernoso daqueles gemidos em grupo que o rodeam.

É daqueles cujo o penetrar não faz sentido senão sob uma grande dose de brutalidade que consiga rasgar todo o sentimento de cuidado pela sua carne tão acriançada. É daqueles cujo o excesso será sempre a sua companhia de cama e o promenor da devassidão o cúmplice das suas paredes. É mais uma grande puta que nasce nesta cidade…é mais um puto a brincar aos adultos sem saber que isso lhe trará uma velhice precosse tão mal amada.

Clone , clone, clone…nem o conigo meter na nossa lista de “social de esquina” de tantos conflitos que me faz surgir quando o tento descodificar. Deve ser isso mesmo…devem ser as diferenças de idade no seu tabuleiro de xadrez, deve ser aquele olhar assutado mas sedento…há ali qualquer coisa que não me deixa confortável para “brincar”.

Mas enfim, sem dúvida o original que, de resto, merece toda a nossa atenção, existe numa perfeição que em nada este clone se aproxima… ou talvez não, talvez tenha sido assim que o original começou, quem sabe. Mas duvido.
Seja como for, venham as noites loucas de sexo, venham as putas novas da cidade, as pernsonagens que nos animam…venham eles, venham elas, que os nossos corpos lá estarão, sempre prontos a descodificar com o olhar e a marcar com o perfume, os ossos a queimar e os desejos a transformar em cinzas para o nosso chão.

E no meio disto tudo, possivelmente, aos olhos alheios, as verdadeiras Putas ainda seremos nós … mas se o formos, que sejamos ao nosso jeito…que esse, só os “originais” sabem e merecem descodificar!

“This is sick… all night song”