sábado, março 04, 2006

Suspended Cherries


Entre corpos e anti-corpos lá estavam os mesmos de sempre a variar entre o oxigénio e os muitos agentes agressores naquele ar.

Estava lá toda a gente, estava tudo quase perfeito.
O som, os corpos, as personagens…as cores, a luzes, os cheiros.

“The time is now” reinava na minha cabeça juntamente com as versões remisturadas do tal “Zeus da noite”, o senhor Booka Shade.
Estavam demasiadas cerejas no mesmo bolo e o bolo estava quase perfeito.
Sob o olhar atento de alguns assíduos espectadores as palavras e os gestos continham-se. A loucura começava a borbulhar entre as plaquetas e os ossos começavam a ganhar autonomia.
A noite começa a ilustrar-se perigosa mas tremendamente fantástica.

“Vamos embora?”…
Sim.
E assim, depois do tudo e antes do nada, lá abadonaram a arena.
Lá ficou a cereja suspensa mais uma vez e o topo do bolo, adiado para uma próxima facada.

2 comentários:

AnaT disse...

Numa sala escura, onde o silêncio estarrecedor apaga-me a Razão e eu só vejo a tua boca em movimento da qual as palavras soam-me como um dialecto incompreensível...o teu corpo em estado serpente e os teus olhos lançam-me o veneno de que preciso para me perder.
És meu esta noite. esta e outra que há-de vir...sempre que o teu limite e a tua pele se derretam no desejo desta luz quebrada. (A morte assim vista tão de perto e deste ângulo até nao é assustador)....A força da vontade é destruidora e eu perco o equilíbrio sobre o meu corpo...enrolo-me no teu...apoio-me em ti...estou em pânico! preciso de fugir...
Fugi para dentro de ti...Percorro-te o sangue em danças de vermelho. E o sorriso é uma arma perigosa neste momento.
Estou dentro de ti. Sinto o pulsar forte da tua emoção...Ah mas que feliz prisão!
Afastas o meu corpo. Vais para longe...desapareces em fumo...fantasma.
Mas eu continuo lá. Não consigo parar com isto. Saboreio o teu sangue...o gosto quente e milagroso...o silêncio dos sentidos...já nao reages. Tudo bem...Não digas nada. Não me consegues sobreviver...Não queres nem tens vontade. Sou o veneno que bebes como água. O vício que não deixas e que te consome de prazer. Sou a noite que te ilumina os lugares mais profundos...A tua solidão é a minha solidão...Não ha nada a fazer. Não consegues...Estou dentro de ti.
Levo isto até ao limite, até à exaustão, até as lágrimas...
Acordo fria na minha cama...e não ha sinal de ti...não me lembro da tua voz, não me lembro do teu perfume. Triste por viver sonambula no teu sonho.

Heliocoptero disse...

Vais ter que me desvendar a história por detrás desta entrada :p